Crédito: MARCELLO CASAL JR

Ângela Mathylde *

A neurociência surgiu das indagações mais constantes e inquietantes da humanidade: afinal, como o cérebro funciona? As investigações sobre emoções, percepção e a relação entre aprendizagem e memória têm sido fundamentais para compreender a capacidade intelectual humana e, inclusive, esboçar perspectivas para o futuro da educação, quando se pensa em um mundo cada vez mais tecnológico.

A neurociência se debruça sobre as áreas de conhecimento biológico, sendo que os circuitos neuronais são um dos principais estudos para relacionar neurociência e educação ou neuroaprendizagem, para esclarecer o funcionamento do sistema nervoso. Os circuitos são responsáveis pelas funções mais básicas do sistema nervoso, como comportamento, emoções e capacidade de pensar, lembrar e armazenar informações. Ao analisarmos os circuitos neuronais durante o funcionamento, pode-se compreender como são geradas as habilidades intelectuais do ser humano, como raciocínio, linguagem e criatividade.

A tecnologia está sendo imprescindível para a evolução da humanidade, sendo constante em diversas esferas e campos sociais. A tecnologia contribuiu para a modernização da neurociência, impactou a sociedade e ainda vai, moldar e definir a educação.

Chamada de educação 5.0, essa nova maneira de ensinar e aprender defende a ideia de integração entre a tecnologia, o mundo digital e a sala de aula, preparando os alunos para um mercado de trabalho mais compatível à era tecnológica.

Em busca dos principais fatores que impactarão o futuro da educação, a organização sem fins lucrativos KnowledgeWorks publicou, recentemente, a  pesquisa “Navigating the future of learning: forecasta 5.0” que, em português, significa “Navegando pelo futuro da aprendizagem: uma previsão 5.0”.

O estudo apresenta cinco fatores para impulsionar mudanças na educação, nos próximos dez anos, começando com a “automatização de escolhas”, em que algoritmos e inteligência artificial estão frequentemente introduzidos no cotidiano, para obtenção de maior eficiência e personalização em serviços e experiências.

Já o ponto “cérebros acelerados” afirma que os avanços rápidos da tecnologia e da neurociência estão transformando as habilidades cognitivas das pessoas e, assim, contribuindo para revolucionar a maneira de se relacionarem umas com as outras com ferramentas digitais.

As “superpotências cívicas” são indivíduos, organizações sem fins lucrativos ou voluntários que, a partir de mídia participativa, análise de dados e aprendizado de máquina que atendem demandas sociais ignoradas pelo poder público.

Cada vez mais prejudiciais à saúde individual e coletiva, as “narrativas tóxicas” são métricas sobre sucesso e realização pessoal. As  “novas geografias” analisa como padrões de migração, produção em pequena escala e o desenvolvimento de ativos culturais estão mudando as estruturas das comunidades em resposta à volatilidade climática e à economia de transição.

Embora o documento aborde um exercício de futurologia, a educação já está mudando as práticas e estruturas para se encaixar em nosso presente e futuro. Até porque, de nada adianta os alunos receberem uma diversidade de conteúdos, se não souberem o que fazer com eles para transformar em conhecimentos e habilidades.

* Psicopedagoga e especialista em neuroaprendizagem