04/03/2015 - Greve dos caminhoneiros gera prejuízos

Mesmo encerrada em Minas Gerais, a greve dos caminhoneiros ainda persiste em alguns estados e gera impactos negativos à economia mineira. Muitos setores, principalmente o de transporte de cargas perecíveis, amargaram muitos prejuízos. Conforme a Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), as dificuldades enfrentadas nos primeiros dois meses deste ano indicam que o resultado do setor no primeiro trimestre não será favorável. "Vamos fechar o período em queda na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, que também não foi bom", afirma o presidente da entidade, Vander Francisco Costa. Além dos bloqueios nas estradas e do cenário econômico adverso, ele cita também o aumento dos custos das empresas, causado pela alta dos combustíveis e do frete, e a recente medida provisória (MP) do governo federal, que reduz a desoneração da folha de pagamento, como os principais fatores para a queda do faturamento do segmento. "No geral, os empresários começaram o ano bastante desanimados e tudo indica que o primeiro semestre vai continuar ruim. A partir do segundo semestre, esperamos que as coisas melhorem", avalia. Varejo - Além dos problemas das transportadoras, o varejo também foi afetado pela greve dos caminhoneiros nas rodovias federais e estaduais que cortam o Estado. A supervisora de Assuntos Econômicos da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Luana Oliveira, destaca os problemas de estoque enfrentados por supermercados e na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas). "Houve muitas perdas em especial de cargas perecíveis. No varejo, o que mais afeta o faturamento é o fato de os estoques ficarem defasados ou as cargas chegarem fora do prazo de validade. Com o primeiro acordo do governo, muitas cargas foram liberadas, amenizando o impacto no comércio desses produtos em Minas", ressalta Luana. Ela lembra, ainda, que a paralisação dos caminhoneiros em outros estados pode afetar alguns setores do comércio varejista mineiro. "Até hoje (ontem) havia estradas em São Paulo, Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul paralisadas pelos caminhoneiros. E alguns desses estados, especialmente São Paulo, são fornecedores de empresas mineiras", explica. Na semana passada, a oferta de alguns alimentos comercializados na Ceasa Minas foi bastante reduzida. Com isso, houve reajuste médio de quase 8% nos preços dos hortigranjeiros. "Com o abastecimento afetado pela greve, além do prejuízo dos comerciantes do local, ocorreu também prejuízo nos bares, restaurantes e supermercados mineiros, por causa do transporte de alimentos altamente perecíveis comprometido", observa. Luana cita também as perdas dos produtores de leite. Segundo a economista, em algumas cidades próximas à Capital, onde a produção de leite é manual - portanto, o produto não passa pelo processo de pasteurização, o que reduz sua validade para apenas um dia -, os prejuízos foram grandes. "Durante a greve, esse leite produzido acabava descartado, pois não havia meio de transporte para levá-lo ao seu destino final", completa.