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Negócios

04/08/2016

Google dá bolsas a 17 projetos brasileiros

Minas foi o grande vencedor, com seis pesquisas selecionadas; ao todo, serão investidos US$ 600 mil
Thaíne Belissa
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Os projetos são selecionados a partir de critérios como impacto, originalidade e qualidade, por exemplo/Nereu Jr/Divulgação
Minas Gerais está no topo da lista das regiões com maior número de pesquisas aprovadas para o programa de Bolsas de Pesquisas do Google para América Latina em 2016. Os 24 trabalhos acadêmicos vencedores foram anunciados ontem, no Centro de Engenharia do Google na América Latina, localizado no bairro Santa Efigênia, região Leste de Belo Horizonte. Do total de pesquisas, 17 são do Brasil e seis de Minas Gerais. Ao todo, o Google vai destinar US$ 600 mil aos projetos que buscam aplicar tecnologia na resolução de problemas em áreas como saúde, meio ambiente, cultura e acessibilidade.

O programa recebeu, em 2016, 473 inscrições de pesquisas de 13 países da América Latina. Foram selecionados 24, sendo 17 do Brasil, dois do Chile, dois do México, um do Peru, um da Argentina e um da Colômbia. De acordo com o diretor de Engenharia da Google Brasil, Berthier Ribeiro-Neto, os projetos são selecionados a partir de critérios, como impacto, originalidade, qualidade e adesão às áreas chaves de interesse da empresa.

O diretor destaca que o objetivo do programa é valorizar e fomentar as pesquisas e os talentos existentes na América Latina.

“Entre as pesquisas que financiamos em outras edições há algumas que estudam a mobilidade urbana, o combate ao mosquito da dengue e o controle da diabetes. São ótimos exemplos de como o professor pode olhar para além dos muros da universidade e identificar problemas que afligem o homem comum e aplicar tecnologia na resolução deles”, disse.

Minas Gerais e São Paulo são os estados com o maior número de pesquisas aprovadas no Brasil: seis em cada um. Também venceram quatro projetos do Rio Grande do Sul e um do Espírito Santo. A maior parte dos projetos brasileiros é de universidades públicas, sendo que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é a mais premiada com cinco projetos.

No Estado, também foi premiada a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro. “O Estado conta com excelentes universidades e a UFMG de fato se destaca. Ela tem um Departamento de Ciência da Computação que é notoriamente conhecido por sua alta excelência e por ter muita pesquisa voltada para as tecnologias da web”, destaca Neto.

Zonas quentes - Entre as pesquisas mineiras vencedoras está a do professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, Wagner Meira Júnior, e do aluno de doutorado Roberto Souza. Eles estão estudando o rastreamento de “zonas quentes” a partir da tecnologia de big data, que colhe dados da trajetória dos usuários principalmente na internet. De acordo com Souza, essas zonas quentes são eventos ou comportamentos de interesse para a análise em questão como, por exemplo, a incidência de pessoas infectadas com dengue em uma cidade.

“Uma das aplicações recentes que fizemos foi seguir pessoas no Twitter que mencionam a dengue em alguma situação pessoal, como o fato de estarem com suspeita da doença ou no hospital. A partir dos dados desses usuários e do contraste com informações de usuários que não fizeram comentários sobre a doença conseguimos chegar a algumas conclusões. Podemos, por exemplo, identificar uma região onde é mais frequente a passagem de pessoas infectadas e, de repente, perceber que aquela área tem maior possibilidade de ser uma região de contágio”, explicou.

O pesquisador destacou a importância do apoio do Google não só por causa do dinheiro investido, mas também porque traz valor à geração de conhecimento na universidade. “Ainda existe um tabu na aproximação entre universidades e empresas e esse prêmio com a chancela da Google pode atrair o olhar do mercado para a academia”, destaca.

No mesmo departamento da UFMG, a pesquisa “Representação de Entidades Baseada em Discussões” foi uma das selecionadas para o programa de bolsas do Google. Os pesquisadores são o professor Pedro Olmo Stancioli Vaz de Melo e o aluno de mestrado Túlio Corrêa Loures. Eles estudam um método de organização de conteúdo na internet por meio do monitoramento de discussões on-line e criação de palavras chaves.

“Muitos conteúdos não são organizados na internet. Se eu coloco um vídeo de uma festa de família, por exemplo, e não adiciono nenhuma descrição, vai ser difícil o Google indexar esse conteúdo como um vídeo de determinada família, comemorando o Natal, por exemplo. O que nós fazemos é processar uma sequência de comentários ou discussões on-line sobre aquele conteúdo, de forma a organizá-lo”, explica o professor. De acordo com Melo, o financiamento do Google vai permitir que a pesquisa seja concluída com mais tranquilidade.

Interior - Entre as pesquisas mineiras selecionadas, a única do interior é da UFU. Os pesquisadores são o professor Marcelo de Almeida Maia e o aluno Adriano Mendonça Rocha. Por meio da tecnologia de aprendizado de máquina, eles estão criando uma plataforma para geração automatizada de tutoriais a partir de sites de perguntas e respostas de desenvolvedores de softwares. O professor explica que existem muitos sites onde profissionais de TI colocam suas dúvidas sobre o processo de desenvolvimento de softwares e outros respondem. Mas, de acordo com ele, esses sites produzem um volume imenso de conteúdo desorganizado.

“Nosso projeto quer filtrar e organizar essas informações de tal forma que a gente escolha os melhores conteúdos para irem automaticamente para um tutorial. A ideia é disponibilizar isso em um portal de tutoriais”, explica. O professor comemora o financiamento, que vai permitir que o aluno se dedique de forma integral à pesquisa. Além disso, ele destaca a importância do apoio de uma empresa como a Google. “Essa bolsa traz visibilidade para o nosso grupo de pesquisa. Obter o reconhecimento da Google de que esse é um projeto importante abre muitas outras portas e atrai novos e bons alunos”, destaca.

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