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Agronegócio

10/01/2018

Oferta de frutas e hortaliças tende a diminuir até abril

Clima mais chuvoso e altas temperaturas prejudicam a produção
Michelle Valverde
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Em dezembro, a oferta de alimentos recuou 4,1% ante 2016, sendo que no grupo de hortigranjeiros a queda foi de 6,2%/Charles Silva Duarte
O aumento das chuvas e a entrada de importantes produtos no período de entressafra contribuíram para que a oferta de alimentos na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) recuasse 4,1% em dezembro, frente a igual mês do ano anterior. Em relação a novembro, foi verificada retração de 0,9% na oferta. Com a queda no volume de produtos ofertados, o faturamento estimado para dezembro ficou 7,47% menor, encerrando o mês em R$ 359 milhões.

A previsão é de manutenção desse cenário até meados de abril, quando se encerra o período de chuvas e o clima se torna mais favorável para a produção de alimentos ofertados na Ceasa, como hortaliças e frutas.

De acordo com o chefe da Seção de Informação de Mercado da Ceasa Minas, Ricardo Martins, a queda verificada em dezembro é atípica, principalmente pelo período ser marcado pelo aumento do consumo. O pagamento do 13º salário e as festas de fim de ano normalmente aquecem as vendas de produtos alimentícios. Porém, o clima mais chuvoso e as altas temperaturas prejudicaram a produção, o que resultou em uma menor oferta de produtos.

Uma das consequências da menor oferta em um período de demanda elevada foi o aumento dos preços. O valor médio praticado por quilo na Ceasa Minas, em dezembro, foi de R$ 2,19, o que representou um incremento de 3,8% quando comparado com o preço em vigor ao longo de dezembro de 2016 e de 7,4% em relação a novembro.

“Para dezembro, a expectativa era de um crescimento de 6% a 8% na oferta de produtos na Ceasa Minas, frente a novembro, mas acabou não acontecendo. As chuvas abundantes em algumas regiões prejudicaram a produção e provocou a queda na oferta. Com a demanda maior, em função das festas de fim de ano e pagamento do 13º salário, os preços ficaram maiores. Apesar do aumento dos preços em dezembro, 2017 foi um ano mais favorável para o consumidor, que teve acesso a alimentos de qualidade a preços mais acessíveis”, explicou Martins.

Hortigranjeiros - O grupo dos hortigranjeiros, que responde por 73% da oferta total de produtos, apresentou queda de 6,2% na oferta quando comparado com dezembro de 2016 e de 0,9% em relação a novembro. Ao todo, foram disponibilizadas 124,15 milhões de toneladas de produtos entre frutas, hortaliças e ovos. O faturamento do grupo encerrou dezembro em torno de R$ 223 milhões, valor 1,8% maior na comparação mensal e 8,2% inferior a dezembro de 2016.

O preço médio do grupo praticado ao longo de dezembro chegou a R$ 1,84 por quilo, alta de 2,2% na comparação anual e de 5,1% na mensal.

“Em dezembro, o preço das hortaliças tiveram uma redução de 8,1%, mas, em compensação, os valores das frutas apresentaram alta de 13,3%, o que contribuiu para a elevação dos preços do grupo. O calor e as festas de final de ano estimulam o consumo de frutas”, explicou.

Ainda segundo Martins, ao longo de dezembro, foi verificada alta nos preços de algumas frutas muito consumidas em Minas Gerais. Entre as maiores variações está a banana-prata, cujo quilo foi comercializado, em média, a R$ 1,50, em dezembro, aumento de 40,2% frente a novembro. A menor oferta é um dos fatores que justificam a alta. O preço da melancia encerrou dezembro com forte alta, 35,9%, com a cotação por quilo subindo de R$ 0,64, em novembro, para R$ 0,87, em dezembro.

No mesmo período, o quilo da manga recuou 25,1% em relação a novembro, saindo de R$ 2,23 para R$ 1,67 em dezembro. Redução também no preço do abacaxi que caiu 9,1% passando de R$ 1,54 para R$ 1,40 em dezembro. Outra fruta muito consumida no período, o pêssego, apresentou retração de 2,8% nos valores, encerando o mês com preço médio de R$ 3,17 por quilo.

Hortaliças - No grupo das hortaliças a queda na oferta ao longo de dezembro foi expressiva, principalmente, pelos itens serem mais sensíveis às chuvas e às temperaturas elevadas. De acordo com o levantamento da Ceasa Minas, foram ofertadas 61,9 milhões de toneladas de hortaliças, volume 9,6% inferior quando comparado com dezembro de 2016 e 0,3% menor que novembro.
Apesar da oferta menor, houve queda nos preços. O quilo médio das hortaliças foi cotado a R$ 1,35, valor 8,8% menor que o registrado em novembro e 0,7% inferior em relação a dezembro de 2016.

Dentre os produtos, foi verificada queda nos preços do chuchu, 34,4%, com o quilo negociado a R$ 0,63. O valor de um dos produtos mais consumidos, a cenoura, caiu de 17,6%, sendo comercializado a R$ 1,08 em dezembro. O preço pago pelo quilo do quiabo ficou 50,3% menor, atingindo R$ 2,96.

“Todos os produtos que tiveram queda nos preços foram acompanhados de boa oferta devido ao período de safra”, disse o chefe da Seção de Informação de Mercado da Ceasa Minas, Ricardo Martins.

Entre os produtos que encareceram, destaque para a batata-inglesa, que registrou valorização de 5,7% e foi negociada a R$ 0,93 por quilo. O preço da beterraba aumentou 7,2% e elevou para R$ 0,89 o valor do quilo.

Faturamento com cereais caiu 10,6%

Ao longo de dezembro, a oferta de cereais somou 3,7 milhões de toneladas na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas), em Contagem, o que representou uma redução de 1,8% em relação a novembro e uma alta de 7,9% quando comparado com dezembro de 2016. O faturamento do grupo, R$ 7,15 milhões, ficou 10,6% menor que o registrado no mês anterior. No período, o preço médio ficou em R$ 1,9 por quilo, redução de 10% no mês e de 32,6% em relação a dezembro de 2016.

Em dezembro, foram ofertadas 42 milhões de toneladas de produtos industrializados, volume 0,9% menor que o disponibilizado em novembro e 1,6% maior quando comparado com dezembro do ano passado. O preço médio do grupo alcançou R$ 3,6 por quilo, alta de 5,9% na comparação com novembro e queda de 6,4% em relação a dezembro de 2016. O faturamento do grupo chegou a R$ 128,8 milhões, alta de 5,1% frente ao mês anterior.

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