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Opinião

14/03/2018

Editorial

Negociações para perder
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Na semana passada, e tão discretamente quanto possível, o ministro Henrique Meirelles esteve nos Estados Unidos, numa pauta cujo item principal, em Nova Iorque e Washington, era discutir a associação entre a Boeing, em posição majoritária, e a Embraer. Quando o assunto vazou pela primeira vez, a empresa norte-americana fingiu desinteresse, mesmo diante do anúncio da fusão entre a Airbus, sua principal concorrente, e a Bombardier, rival da Embraer no cobiçado mercado de jatos de porte médio. Agora a estratégia parece ter mudado e o gigante da indústria aeronáutica dá a entender que tem pressa e, principalmente, quer evitar que o assunto seja politizado.

Na perspectiva dos negócios globais, a operação parece óbvia e interessante, com ganhos de escala para as duas partes, mas as aparências, no mundo dos negócios, costumam ser enganosas. A Embraer chegar aonde chegou e resistir é quase um milagre. Não por acaso, e desde que o coronel Ozires Silva teimou que seria possível desenvolver tecnologia, formar mão de obra e produzir aviões de maior porte no País, houve quem apontasse a própria Embraer como o melhor símbolo do Brasil que deu certo. Mudar de roda, agora, por mais óbvio que seja o interesse da Boeing, parece ser o mesmo que renunciar a esta crença.

Por mais que a Boeing diga que as operações serão complementares e que haverá equilíbrio, é mais que suficiente lembrar que a própria empresa construiu seu império engolindo rivais. Uma “ética” que, nos Estados Unidos, principalmente, costuma ser apresentada como sinal de força e vitalidade, perfeitamente natural, onde a lei do mais forte prevalece. Já para quem pretender enxergar a possibilidade do negócio na perspectiva do interesse brasileiro talvez seja bastante lembrar o conceito América First que o presidente Trump não perde a chance de proclamar.

O fato objetivo é que a Embraer construiu o seu espaço, tornou-se líder global no mercado de jatos de médio porte e fez avanços substanciais também nas áreas de jatos executivos e no campo militar. Natural que seja cobiçada, mas nada natural que estes movimentos não sejam barrados, como, aliás, o governo brasileiro anunciou num primeiro momento, quando chegou a desmentir a possibilidade de negociação. Depois disse que aceitaria conversar sobre aviões comerciais e agora é a própria Boeing que dá a entender que a fatia militar também pode entrar no jogo, para produção conjunta de equipamentos de defesa.

Tudo isso, segundo as fontes norte-americanas, num acordo que estaria muito próximo de ser acertado, com o governo brasileiro renunciando a seu direito de veto. Um retrocesso para fazer acreditar que o sonho de dar certo pode ficar ainda mais distante para os brasileiros.

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