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Opinião

09/06/2018

Editorial

Reagir para sobreviver
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É o horror banalizado e incorporado ao cotidiano, com uma dose de violência superior à verificada em países em guerra. Estamos falando do Brasil, estamos falando de criminalidade e violência, de uma situação que chegou a extremos que absolutamente não podem ser tolerados. Estamos falando de estudos divulgados esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública dando conta de que no ano de 2016 foram registrados no País 62.517 homicídios. Pela primeira vez, mais de 30 mortes por 100 mil habitantes, ou 30 vezes mais que na Europa.

Em dez anos, contados a partir de 2006, foram 553 mil assassinatos, sendo que 53% das vítimas eram jovens com até 29 anos de idade, a maioria negros e pobres. Embora o Rio de Janeiro, hoje com a área de segurança sob intervenção federal, esteja quase sempre no centro das atenções, o Estado não tem os piores registros e, estatisticamente, acusa, nos dez anos estudados, redução de 23% nos casos de assassinatos, enquanto em Minas Gerais houve aumento de 2,7%. Em São Paulo, que exibe os melhores resultados, a redução anotada chegou aos 46,7%.

Os estudiosos apontam que o eixo da violência se deslocou para o Norte-Nordeste do País e encontram, na elevação da renda nessas regiões, uma das possíveis explicações para o aumento da criminalidade. No Rio Grande do Norte os crimes de morte aumentaram inimagináveis 256% em dez anos, ficando longe do Maranhão (121%) e do Acre (93%). São igualmente alarmantes as ocorrências de mortes em confrontos com a polícia, somando 4,2 mil casos em todo o País no ano de 2016, um crescimento de 81% na comparação com os registros de 2012.

Tudo isso é o resultado de uma guerra aberta e não declarada, envolvendo, segundo estimativas oficiais, pelo menos 40 organizações criminosas. O maior número de ocorrências fatais se dá em conflitos entre jovens membros dessas facções. Nada disso, se não a escalada da criminalidade, é novo ou escapa a uma rotina já bem conhecida, evidenciando uma situação de descontrole que se observa e se repete mesmo no Rio de Janeiro sob intervenção e participação direta das Aorças Armadas no combate ao crime.

De qualquer forma, essa guerra não pode ser dada como perdida, não pode continuar limitada ao relato diário das baixas. Reagir com eficácia passou a ser, literalmente, condição de sobrevivência para uma sociedade que se pretende organizada.

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