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Opinião

14/06/2018

É um problema atrás do outro...

Cesar Vanucci*
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“A Petrobras optou por explorar óleo cru e
importar derivados. É a receita da dependência.”
(Rodrigo Martins, jornalista)

A situação tá braba demais da conta. Tolhido nas diligências rotineiras inerentes aos seus deveres institucionais por desconcertante negligência e aguda insensibilidade social, esvaziado de sentimento nacional, o governo do ibope ao rés do chão deixa a Nação estarrecida com sua avalancha de desacertos e trapalhadas. Para onde quer que se alongue a vista, lá está, a fitar-nos, um baita dum impasse. Um problema atrás do outro...

A renda estancou. A expansão da economia é pífia. O desemprego e o subemprego só fazem crescer. Estimativa conservadora dá conta de que, nos últimos meses, mais de 2 milhões de brasileiros engrossaram as fileiras dos “sem carteira assinada”. Sob a alegação fajuta da “austeridade orçamentária”, a desacreditada equipe econômica, enredada nas malhas de uma neoliberalice bem radical, corta benefícios sociais a torto e a direito. Defende reformas trabalhistas de araque, que levam à precarização das vagas no mercado de trabalho. Chega ao cúmulo de propor redução no salário mínimo.

De outra parte, deixa despudoradamente explícita, com todas as letras, pontos e vírgulas, a disposição em desestatizar ativos valiosos do patrimônio nacional.  Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Casa da Moeda figuram, já agora sem qualquer preocupação de disfarce, na alça de mira de uma espiral entreguista desarvorada.

Enquanto isso, noutra vertente da colossal encrenca armada pela notória incompetência política e administrativa que nos desassossega, os juros bancários alcançam topo everestiano. Os relatórios dos bancos acusam, entra semestre, sai semestre, lucratividade recorde sem paralelo na história. Os ganhos especulativos não cessam de crescer. O dólar roça os 4 reais. Nas bombas, o preço da gasolina é majorado – pasmo dos pasmos - 12 vezes seguidas em um único mês. Uma sucessão interminável de decisões insensatas penaliza inclementemente a cadeia produtiva e enche de inquietação os diferentes segmentos da sociedade. Política de preços desastrada na área dos combustíveis arremessou o país para uma crise de desabastecimento jamais vista.

Dentre os abusos cometidos por administradores e tecnocratas desalmados, ligados a grupos hostis aos legítimos interesses nacionais, despontam o pagamento pela Petrobras de 3 bilhões de dólares em multas  a fundos estadunidenses em função dos rombos do petróleo, e a irrefletida concordância do escalão superior às pressões e imposições de compra de diesel produzido além-mar. As refinarias nacionais operam com ociosidade inexplicável, de até 25 por cento, garante a Federação dos Petroleiros. Nada obstante, a turma com “poder de caneta” não reluta em autorizar a importação de derivados do petróleo, mode que favorecer grupos privados estrangeiros. Para o indefeso consumidor brasileiro sobra a responsabilidade, altamente onerosa, de quitar a conta.

Tem mais. As medidas anunciadas por porta-vozes palacianos para enfrentar a “crise dos caminhoneiros” preveem compensações nos descontos de fornecimento do diesel. Pelo que se explicou, os subsídios serão dados indistintamente à Petrobras e às importadoras. Especialistas em economia e em ciência política confessam-se perplexos. Nunca dantes, neste país, cogitou-se de subsídio para importações. Acresce sublinhar que, além do mais, dispomos de todas as condições necessárias para produzir o óleo aqui mesmo.

Eis que, então, de repente, vemo-nos diante dessa situação insólita: a um só tempo em que corta verbas na área das políticas sociais e congela por anos investimentos públicos em infraestrutura, o governo confessa, sem rubor na face, o propósito de subsidiar os lucros dos acionistas da Petrobras e de grupos petrolíferos estrangeiros. Tá danado!

*  Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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