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Economia

14/03/2018

Anglo pode ser multada por vazamento

Órgãos ambientais avaliam impactos do rompimento do mineroduto do Sistema Minas Rio na Zona da Mata
Leonardo Francia
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Rompimento do mineroduto do Sistema Minas Rio resultou no vazamento de 300 toneladas de polpa de minério de ferro/Divulgação
A Anglo American deve ser penalizada, entre multas e sanções administrativas, em decorrência do acidente de segunda-feira, quando o mineroduto do Sistema Minas-Rio rompeu e derramou 300 toneladas de polpa de minério no córrego Santo Antônio, prejudicando o abastecimento de água de Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata.

A mineradora continua trabalhando para normalizar o fornecimento de água para a cidade e deve ser notificada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pelo licenciamento do duto, para prestar informações detalhadas sobre as causas do acidente e planos de retirada do minério do córrego, entre outros aspectos.

A Anglo American explicou que o vazamento da polpa do mineroduto já foi 100% estancado. Segundo a empresa, o vazamento durou aproximadamente 25 minutos, seguido por vazamento apenas de água por cerca de 11 horas até ser estancado. A mineradora implantou filtros ao longo do córrego Santo Antônio para conter os sedimentos e já está trabalhando no reparo do duto.

A mineradora também está realizando o monitoramento da qualidade da água, num total de 30 pontos, desde o córrego Santo Antônio (na Estação Bombas 2 e também no ponto de captação de água da Companhia de Saneamento de Minas Gerais - Copasa), passando pelo rio Casca, até a sua confluência com o rio Doce. “O objetivo é garantir a retomada, no menor prazo possível, do abastecimento de água para a Copasa”, pontuou, em nota, a companhia.

Em caráter emergencial, a Anglo American está disponibilizando água para os moradores por meio de nove caminhões pipa. A população está sendo integralmente atendida. A qualidade da água com que é abastecido cada caminhão-pipa é analisada antes e depois do abastecimento do caminhão. Para complementar as medidas de emergência, a companhia também está fazendo a distribuição de água mineral às comunidades.

O Ibama, que mantém equipes do Núcleo de Emergências Ambientais no local para avaliar os danos ambientais e a aplicação das sanções administrativas previstas na legislação, realizou um sobrevoo na região afetada pelo vazamento e estimou, inicialmente, o vazamento de pelo menos 250 metros cúbicos da polpa de minério, volume que ficou depositado no ribeirão Santo Antônio, onde a mineradora instalou barreiras mecânicas. O material em suspensão chegou diluído ao rio Casca, mas não foi verificada morte de animais até o momento.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que uma equipe de técnicos da secretaria também sobrevoou toda a extensão do Rio Santo Antônio, até a confluência com o rio Casca. “A secretaria esclarece que este momento de diagnóstico é de suma importância para a lavratura dos autos de fiscalização, que irão definir penalidades e valor da multa”, afirmou, em nota, a Semad.

Alternativa - A Copasa detalhou que, após reunião realizada ontem, entre a companhia, a Anglo American e a prefeitura de Santo Antonio do Grama, a captação alternativa de água para Santo Antonio do Grama ficou definida em duas frentes. A primeira é a captação de água no córrego do Salgado, localizado a 600 metros da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Santo Antônio do Grama.

Neste caso, será instalada uma adutora, por meio de tubulação superficial (acima da terra), e de forma provisória. A expectativa é de que essa captação possa ser iniciada na manhã de hoje. Sua implementação depende da chegada do equipamento, a ser enviado pela Anglo American. A segunda frente é a captação de água no mesmo ponto do córrego para ser enviada à ETA por tubulação enterrada (subsolo). Essa adutora deve ser concluída em três dias. A Anglo está mobilizando sua estrutura para executar a obra.

É importante destacar que, após o inicio da captação de água bruta no córrego Salgado, a companhia estima o período de cerca de 8 horas para o inicio do reabastecimento, que será realizado de forma gradativa em Santo Antônio do Grama. Enquanto isso, o abastecimento na cidade segue realizado por meio de caminhões-pipa.

A Copasa informou ainda que está monitorando constantemente a qualidade da água em Rio Casca, distante 18,8 quilômetros de Santo Antônio do Grama. “As análises indicam que não há alteração: a água distribuída ao município está potável. Portanto, a captação e o abastecimento seguem normalizados até o momento”, reiterou.



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