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13/06/2018

Bancos públicos devem ajudar mais o País, dizem especialistas

Para autoridades, instituições têm atuado pouco em favor da economia
Ana Amélia Hamdan
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Atual cenário é de fechamento de agências e redução do quadro de funcionários/Lincoln Yoshihashi/Divulgação
Os bancos públicos poderiam estar atuando de maneira mais contundente para auxiliar na recuperação econômica do País. Essa é a posição da ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-ministra do Desenvolvimento Agrário, Maria Fernanda Coelho. Posição semelhante tem o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que considera que os bancos públicos devem romper o ciclo do medo e sair na frente quanto à recuperação do crédito. Os dois participam hoje, em Belo Horizonte, do debate Papel dos Bancos Públicos no Desenvolvimento Nacional.

Para Maria Fernanda Coelho, o que está acontecendo atualmente é que os bancos públicos vêm perdendo força, o que acaba reforçando a crise. “O banco privado trabalha na perspectiva do lucro, não há compromisso em resolver problemas das crises. Essa é a vocação dos bancos públicos”, diz.

Como exemplo de atuação dessas instituições, ela cita que na crise internacional de 2008, os bancos públicos mantiveram financiamentos e crédito a famílias e empresas, garantindo que o mercado interno se mantivesse em condições de operar.

A ex-presidente da Caixa rejeita a alegação do governo federal de que não há recursos para investimentos nessas instituições. “O que temos observado é que não se trata de falta de dinheiro disponível do Tesouro, mas uma escolha política. Quando o governo quer aprovar e sofre pressão, há desoneração e redirecionamento de recursos”, afirma.

Para ela, nesse momento de crise, o ideal é retomar a importância das instituições públicas financeiras. “A discussão da privatização é a primeira que aparece, com argumento de que aumentaria a competitividade. Mas isso vem na contramão dos processos de privatização”, declara.

Maria Fernanda Coelho defende que o fortalecimento dessas instituições leva ao fomento do desenvolvimento com crédito habitacional, às famílias, às empresas, e com investimento em infraestrutura.  “Estamos vendo os bancos públicos demitindo e fechando agências, aumentando tarifas bancárias e taxas de crédito. Com isso, acabam aumentando mais a crise”, destaca. Maria Fernanda Coelho foi presidente da Caixa entre 2006 e 2011, durante o governo Lula.

Análise histórica - O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, doutor em economia pela Unicamp e fundador da Faculdades de Campinas (Facamp), informou que hoje, em Belo Horizonte, fará uma análise histórica e teórica da participação do Estado na economia. “A minha tentativa é evitar o raciocínio binário de mais ou menos Estado”, disse.

Entre outros temas, ele abordará o papel dos bancos públicos em dado momento econômico. Ele ressalta que, no período desenvolvimentista recente, o Brasil cresceu com o papel importante dos bancos públicos, com linhas de crédito para a indústria por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e para o setor imobiliário via Caixa.

No atual momento de crise, ele defende que os bancos públicos assumam a iniciativa de recuperar o crédito. “Os bancos privados atuam com restrição ao crédito quando há altos índices de inadimplência. O banco público pode sair na frente para romper esse medo. Dessa forma se retoma um círculo de crédito, sendo seguido pelos privados”, disse. Ele ressalta que a combinação investimento público e expansão do crédito assegurou círculos virtuosos em momentos históricos.

Além de Beluzzo e Maria Fernanda Coelho, são convidados para o debate de hoje, que acontecerá no Ouro Minas Hotel, o diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Marco Aurélio Crocco Afonso, e o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Ferreira.

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