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Negócios

12/07/2018

Câmbio e crise afetam setor de intercâmbio em Minas

Se por um lado o cenário de incerteza aumentou o desejo de morar fora do País, alta do dólar encareceu os custos
Thaíne Belissa
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Dados da Belta apontam que o mercado brasileiro de educação estrangeira cresceu 22% no ano passado/PIXABAY/DIVULGAÇÃO
Em um contexto repleto de antagonismo, a crise econômica tem se apresentado, ao mesmo tempo, como entrave e como estímulo do segmento das agências de intercâmbio em Belo Horizonte. Empresários do setor na Capital afirmam que o cenário de incerteza no País aumentou o desejo das pessoas de se mudarem para o exterior e, consequentemente, a procura pelos programas de intercâmbio. Por outro lado, a alta do dólar elevou os preços dos programas e assustou quem pretendia investir na viagem para fora.

Dados divulgados, este ano, pela Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta) mostram que o mercado brasileiro de educação estrangeira permanece aquecido, tendo registrado um aumento de 22% em 2017 em relação a 2016. Ainda segundo a Belta, os brasileiros movimentaram cerca de US$ 3 bilhões em programas educacionais, no ano passado.

Mas, apesar dos números serem positivos, na prática, os empresários travam uma luta entre receber um número cada vez maior de clientes curiosos e interessados no intercâmbio, mas ver suas vendas e seus lucros escorrerem entre os dedos por causa dos altos valores do dólar.

“É fato que, a cada ano, mais brasileiros estão indo para o exterior e gastando mais lá. Esse gasto maior tem a ver, inclusive, com a alta do dólar. Mas, no dia a dia, não podemos falar em aumento no faturamento: a verdade é que vamos ficar empatados com o ano passado”, afirma o diretor da unidade belo-horizontina da World Study, Paulo Silva.

Segundo o empresário, a busca pelos programas na agência tem aumentado nos últimos anos. Ele acredita que a crise econômica desperta nas pessoas o desejo de buscar alternativas fora do País, mas, segundo ele, isso não se reflete, necessariamente, em vendas. “Temos recebido um número altíssimo de contatos pelo fale conosco e pelas redes sociais, mas o que vejo são, principalmente, curiosos. Pode ser que essa procura resulte em vendas mais para frente, mas nesse momento as vendas não têm crescido”, afirma.

Na avaliação de Paulo Silva da World Study, faturamento deve ficar estagnado

Para ele, a alta do dólar é um dos principais entraves para o resultado negativo nas vendas. O empresário explica que o cliente tem esperado alguma baixa na cotação, a fim de fazer um investimento mais baixo. “Não conseguimos diminuir o preço dos programas, mas passamos a oferecer opções de parcelamento por mais tempo. Se antes oferecíamos de três a seis vezes sem juros, hoje chegamos a até 15 vezes sem juros”, diz.

Na agência True Experience, localizada no bairro Lourdes, região Centro-Sul da Capital, a procura pelos programas de intercâmbio também aumentou 20% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período em 2017. Mas o diretor, Leonardo Bittencourt Mendonça, também não esbanja otimismo justamente porque a alta do dólar impactou as vendas. “Tem muita gente interessada em estudar e trabalhar no exterior, mas com o dólar alto os preços dos programas encarecem. E as perspectivas não são boas por causa do cenário político”, diz.

O empresário acredita que o faturamento da agência em 2018 será o mesmo que o do ano passado. Para contornar a baixa nas vendas, ele tem oferecido uma série de vantagens, como câmbio congelado no ato da compra, isenção de taxas, desconto para quem vai acompanhado e parcelamento em mais vezes.

Segundo ele, a crise econômica também tem refletido na busca de um tipo específico de programa de intercâmbio: o que mistura estudo e trabalho. “Esse tipo de programa era menos procurado no passado, mas isso tem mudado porque as pessoas têm dinheiro para fazer o intercâmbio, mas não para se manter fora do País e, por isso, precisam trabalhar”, analisa.

EMPRESAS DEMONSTRAM OTIMISMO

Na Agência de Intercâmbio Experimento, localizada na Savassi, o clima é de mais otimismo. A gerente Amanda Lima afirma que a empresa cresceu 20% em faturamento em 2017 em relação a 2016 e a meta para 2018 é crescer ainda mais. Ela admite que a alta do dólar assusta o consumidor, mas ela garante que a agência tem conseguido contornar o desafio.

Segundo ela, a agência aposta em diversificação de ofertas de programas de intercâmbio que atendem desde crianças até idosos. “Oferecemos programas de férias para crianças e adolescentes, que conciliam estudo e turismo, passando pela High School, cursos de idiomas, cursos profissionais e programas específicos para pessoas com mais de 50 anos. Esse último público tem crescido porque a informação tem chegado mais facilmente a essas pessoas, que estão num período da vida em que têm mais tempo”, diz.

O coordenador da agência Eagli do bairro Funcionários, Eduardo Nascimento, também destaca a importância da diversificação de oferta no segmento de intercâmbio. Segundo ele, o perfil do cliente mudou nos últimos anos, deixando de ser apenas o jovem universitário para qualquer pessoa – desde criança até o idoso – que tenha interesse em uma experiência internacional.

“Hoje há quem aproveite as férias para fazer um curso no exterior, quem foi demitido e usa o acerto para se qualificar e profissionais que buscam cursos mais técnicos para além do idioma, como busines english, cursos na área de gerenciamento, liderança e projetos”, diz. O coordenador afirma que a agência cresceu 22% em vendas no primeiro semestre deste ano em relação a 2017.


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