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13/03/2018

Cinema engajado de René Vautier chega de graça a BH

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Em 1950, René Vautier (1928/2015) foi contratado pela Liga Francesa de Ensino para fazer um documentário sobre a educação francesa na África subsaariana, porém, o cineasta ignorou a encomenda e realizou o documentário África 50. Foi o primeiro filme anticolonialista francês, que mostra o trabalho forçado, as violações e violências das autoridades coloniais francesas contra a população da Costa do Marfim e da República do Mali.

O documentário África 50 e mais quatro filmes compõem a programação da primeira mostra parcial com sessões comentadas do cineasta René Vautier no Brasil. A programação é gratuita e ocupa o cinema do Sesc Palladium (Avenida Augusto de Lima, 420, Centro) entre os dias 20 e 23 de março. As sessões começam às 19h e os ingressos podem ser retirados na bilheteria do espaço, uma hora antes das exibições.

Com uma trajetória profissional marcada pela militância em torno dos direitos humanos, o trabalho de Vautier lhe rendeu, além de reconhecimento, ações de censura do governo francês, um ano de prisão e um período de exílio. Na ocasião da realização do filme África 50, o diretor teve 33 dos 50 rolos apreendidos na alfândega antes da montagem e foi censurado na França por 40 anos.

Sobre a programação - No dia 20, a mostra será aberta com o filme Povo em movimento (Peuple en marche). Em 1962, René Vautier criou com amigos argelinos um centro de formação audiovisual para promover um “diálogo em imagens” entre os dois campos. A partir dessa experiência, é feito um filme, parcialmente destruído pela polícia francesa. As imagens que puderam ser salvas constituem um raro documento histórico: elas relatam a guerra argelina, recontam a história do Exército de Libertação Nacional (ALN) e mostram a vida no período pós-guerra, incluindo a reconstrução nas cidades e no campo após a independência. O filme será comentado pela antropóloga, documentarista, organizadora e curadora do forumdoc.bh, Júnia Torres.

No segundo dia de mostra será exibido o longa Quando as mulheres se revoltam (Quand les femmes ont pris la colère), história de 12 mulheres de Couëron, Loire-Atlantique, que sequestraram o chefe da fábrica onde seus maridos, irmãos e pais trabalhavam, como protesto por melhores condições trabalhistas. Os comentários da obra serão de Julia Fagioli, pesquisadora de cinema e doutora em comunicação.

Vinte anos nos montes Aurès (Avoir vingt ans dans les Aurès) será o terceiro filme da mostra. Na ficção, um grupo de bretões refratários e pacifistas foi enviado para a Argélia. Confrontados com os horrores da guerra, pouco a pouco vão se tornando máquinas de matar. Um deles não vai aceitar e se deserdar, levando com ele um prisioneiro que estava para ser executado no dia seguinte. O filme será comentado por Marcelo Ribeiro, professor de História e Teorias do Cinema e do Audiovisual da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

Já o documentário África 50 (Afrique 50), considerado por Nicole Brenez, especialista na avant-garde francesa, da Cinemateca Francesa, o maior filme da história do cinema, será exibido no dia 23. Nessa mesma sessão, também terá exibição do filme O sino (Le Glas). A obra, narrada por Djibril Diop Mambéty, sobre uma música composta a partir de uma gravação dos Panteras Negras, denunciou o enforcamento de três revolucionários africanos em Salisbury na África do Sul.

Le Glas foi dirigido por René Vautier sob o pseudônimo Ferid Dendeni, que significa “homem de Denden”, prisão onde o cineasta foi preso na Tunísia entre 1958-1960.
A última noite da mostra terá os comentários de Marcos Antonio Cardoso, filósofo e mestre em História Social pela UFMG e militante do Movimento Negro brasileiro. E também contará com comentários de Cida Reis, diretora de cinema e pesquisadora sobre a história e a memória das manifestações cultural/religiosa afro-brasileira; e Janaína Damaceno, professora Adjunta da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense.

SERVIÇO

Câmera Cidadã: Mostra René Vautier
Sesc Palladium (Avenida Augusto de Lima, 420, Centro, BH)
20 a 23 de março, 19h
Entrada gratuita

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