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Opinião

13/07/2018

EDITORIAL | Mudar, mas para melhor

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Um acelerado e desordenado processo de urbanização, notadamente a partir da segunda metade do século passado, ajuda a explicar boa parte dos males que os brasileiros, com certeza a parcela mais pobre da população, enfrentam presentemente. As condições de habitação, mobilidade e acesso a serviços básicos, do saneamento à segurança pública, fazem parte desse rol e só poderão ser modificadas para melhor com políticas públicas fundadas no planejamento e no estabelecimento de prioridades.

Fundamentalmente, dizem os especialistas, é preciso descomprimir as grandes cidades, tarefa que começa por melhorias substanciais nas condições de mobilidade. Não muito diferente do que se faz em países mais adiantados, onde distância e locomoção não são exatamente problemas. O crescimento impõe também a revisão de antigos conceitos de urbanismo e da ocupação de espaços, por exemplo, aproximando locais de moradia e de trabalho. Nessa direção, a revitalização de espaços centrais e sua reocupação para fins residenciais igualmente oferece boas oportunidades.

No entanto, e segundo avaliação de empresários, não é exatamente o que está acontecendo e poderá acontecer em Belo Horizonte, caso prosperem as ideias contidas no novo Plano Diretor para a cidade. Não por outra razão 29 entidades de classe, incluindo a Federação das Indústrias, a Câmara de Dirigentes Lojistas e Associação Comercial, pedem o reexame do texto encaminhado à Câmara dos Vereadores, reclamando que na prática impostos estarão sendo elevados, onerando a construção civil, o mercado imobiliário e, claro, a moradia. E com o efeito ainda mais perverso de expulsar os mais pobres para regiões periféricas, mais distantes e não alcançadas por serviços básicos. Trata-se de chancelar, piorando, um modelo que não deu certo.

Um plano que inviabiliza obras, inviabiliza igualmente a geração de empregos, tudo isso culminando com queda da receita tributária e empobrecimento, diz um empresário. Outro lembra que soluções mais modernas e que incorporam novas tecnologias foram ignoradas e isto claramente implicará em dificuldades ainda maiores para a correção dos erros e distorções que se acumularam ao longo do tempo. As proporções da mobilização desencadeada esta semana são inéditas, refletem a gravidade dos problemas anotados e chamam atenção para um grau de insatisfação que também ganha contornos inusuais.

É fundamental que estas vozes e suas ponderações sejam ouvidas e consideradas, tendo em conta que se está falando, simplesmente, de melhorar as condições de vida na cidade, tendo como pilar das transformações o crescimento econômico, claramente entendido como suporte para as transformações que sustentem melhores condições de vida para a maioria. Fazer diferente é insistir no erro que já nos custou tão caro.

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