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Opinião

11/07/2018

EDITORIAL | O preço da insegurança

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Entre os anos de 2007 e 2016 os gastos públicos com segurança aumentaram, nos planos federal, estadual e municipal, em 27,5%, descontada a inflação do período. Por outro lado, e de acordo com dados reunidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o total de encarcerados no País cresceu 144% em doze anos. Eram 297 mil presidiários em 2005 e a população de encarcerados chega hoje a 700 mil indivíduos. Números que traduzem ação e não necessariamente resultados. Os roubos de carga no País aumentaram 31% em dez anos e no mesmo período os assaltos a instituições financeiras tiveram crescimento de 47%. Tudo isso sem contar que o registro de assassinatos passou de 60 mil no último ano.

Como já foi dito e repetido, são números que não se repetem nem mesmo em países em guerra, expondo aquela que é muito provavelmente a maior das tragédias de nosso tempo. E fazendo ver que a solução não está necessariamente na alocação de verbas ou no encarceramento de indivíduos que afrontam a lei, proposições repetidas quase que como um mantra. E dessa situação, demonstra a CNI, não resulta apenas dor e sofrimento. Contando por alto, os estudos demonstram também que a falta de segurança custa ao País, a cada ano, R$ 365 bilhões, o equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Um bilhão de reais por dia ou R$ 1,8 mil na conta de cada cidadão brasileiro.

E trata-se apenas de uma estimativa, muito possivelmente conservadora, dizem os próprios autores do estudo, chamando atenção para um outro aspecto alarmante: o valor apurado equipara-se à participação do setor da construção (5,2%) no PIB nacional ou à agropecuária (5,3%) e supera a indústria extrativa mineral, petróleo e minérios, e serviços e água, esgotos e energia elétrica. Os dados reunidos também mostram que os gastos públicos anuais com segurança e sistema prisional chegam a R$ 101 bilhões e mais R$ 86 bilhões foram para as contas das secretarias estaduais de segurança. Em 2015 apenas a indústria gastou com segurança privada e seguros um total de R$ 112 bilhões.

São custos diretos, mas que ainda não representam o total. A falta de segurança implica também em perdas de horas trabalhadas, em redução da produtividade e elevação dos custos de fretes. Também entra na conta as despesas com internações hospitalares das vítimas de violência, que chegaram a 56 mil no ano de 2015 a um custo direto, bancado pelo sistema público de saúde, de R$ 85 milhões, faltando ainda acrescentar o valor das concessões de auxílio-doença e aposentadorias que tem origem nas mesmas causas. Eis o tamanho da conta que todos estamos pagando e, pior, sem que se possa enxergar à frente qualquer sinal de alívio.

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