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Opinião

20/01/2018

Editorial

O descrédito do governo Temer
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Com o excessivo fardo do descrédito internacional e interno na bagagem, o presidente Michel Temer viaja na próxima semana para Davos, na Suíça, onde participará do Fórum Econômico Mundial em meio à desconfiança geral da comunidade em relação ao seu governo e o rumo das reformas, especialmente a da Previdência, cuja votação em fevereiro é mais do que incerta.

Apesar dos cortes no Orçamento para áreas essenciais como a saúde, que enfrenta o caos com surto de febre amarela, e educação, Temer levará para o Davos uma das maiores delegações do Brasil dos últimos anos com o pretexto de atrair investimentos diante de uma suposta retomada da economia do País.

Na semana passada, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou o rating brasileiro em função da demora na aprovação de medidas para reequilibrar as contas públicas, num claro sinal para a reforma da Previdência, e de incertezas devido às eleições deste ano.

Com um dos maiores índices de reprovação da sociedade brasileira em relação ao seu  governo, Temer tem o seu desgaste agravado pela crescente desconfiança dos organismos internacionais quanto à eficácia de sua política conservadora, sustentada pelas antigas e condenáveis práticas fisiológicas de seu partido. O desgaste em meio à comunidade mundial foi intensificado nesta semana com o alerta da agência de classificação de risco Moody’s quanto à tentativa do governo de flexibilizar a regra de ouro das contas públicas, que já seria suficiente para rebaixar o rating do País.

A articulação para legalizar as famosas pedaladas fiscais no Brasil, que serviu de mote para derrubar a então presidente Dilma Rousseff, aumenta o descrédito de Temer no exterior e indica  uma situação fiscal cada vez mais difícil do País.

No campo interno, com a debandada de ministros que pretendem disputar as eleições, Temer vive o constrangimento de não conseguir nomear substitutos, como a deputada Cristiane Brasil, cuja posse na pasta do Trabalho foi suspensa pela Justiça pelo fato de a filha de Roberto Jefferson já ter sido condenada por desrespeito justamente às leis trabalhistas.

Prioridade do governo neste início de ano, a aprovação da reforma da Previdência divide os próprios aliados do presidente, que temem os perversos efeitos da medida extremamente impopular em um ano eleitoral.

Numa demonstração explícita de desespero, o governo apela para todas as armas para avançar na agenda de reformas, deixando a vergonha de lado para escancarar propostas imorais da velha política do “toma lá, dá cá”. A chantagem para a liberação de verbas para estados e municípios chegou a tal ponto que um ministro da “tropa de choque” de Temer teve a cara de pau de afirmar que a troca de votos por recursos é absolutamente normal.

Como uma cartada final para aprovar a reforma da Previdência, Temer já contabiliza o preço estratosférico de R$ 30 bilhões em emendas parlamentares e obras para convencer deputados e senadores da base aliada a aprovarem a proposta de emenda à Constituição (PEC).

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