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Opinião

10/02/2018

Editorial

Cenário político indefinido
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Diz a sabedoria popular que o ano só começa no Brasil depois do Carnaval. De fato, antes da folia, as coisas andam bem devagar, principalmente na ilha da fantasia de Brasília. Por coincidência ou não, o início para valer dos trabalhos no Legislativo e no Judiciário acontece apenas após a festa momesca.

O Executivo não tem recesso como os demais poderes, mas acompanha o ritmo de folga remunerada, mesmo em um ano de eleições. Passada a folia, os mandatários do Brasil rasgam a fantasia e começam a articular seus projetos. Faltando menos de oito meses para as eleições, o cenário da sucessão presidencial ainda está muito indefinido com o anúncio de poucas pré-candidaturas e muita especulação.

O presidente Michel Temer, com 70% de reprovação da sociedade, certamente não será candidato, mas pretende fazer o seu sucessor. Com os esforços concentrados na tentativa de aprovar a reforma da Previdência na Câmara até o fim deste mês, mesmo com toda a incerteza em relação à investida na busca dos 308 votos necessários, o Planalto finge deixar a pauta da disputa presidencial em segundo plano.

Entretanto, os postulantes mais próximos a Temer esqueceram o Carnaval e estão em plena campanha. Com uma agenda própria de candidato, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, viaja por todo o País para participar de eventos junto a lideranças empresariais, supostamente para defender a reforma da Previdência.

Filiado ao PSD, Meirelles compara a sua situação com a do então ocupante do mesmo cargo no começo de 1994, Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, FHC também era “inviável” para analistas naquele momento, embora ele tenha sido eleito no pleito de 1994. O exemplo soa falso pois, enquanto o tucano fez do Plano Real a plataforma para suceder Itamar Franco na Presidência da República, o atual ministro da Fazenda tem como cacife eleitoral apenas uma pequena melhora nos indicadores econômicos nos últimos meses.

O seu maior rival na briga pela indicação dos governistas para a sucessão de Temer é hoje o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também está em plena campanha e comanda a Casa como uma espécie de “falso primeiro-ministro”.

Embora esteja na disputa pela indicação para disputar a Presidência no ninho tucano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enfrenta resistências até de caciques do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nos últimos dias, FHC assumiu de vez a paternidade da candidatura do apresentador e empresário Luciano Huck, apostando  na juventude de um nome de apelo popular que nunca foi diretamente ligado à política e, por isso mesmo, não carrega o fardo do enorme desgaste que a classe acumula nos últimos anos.

Como o ex-presidente Lula já é praticamente uma carta fora do baralho, face à sua condenação na segunda instância, mesmo na liderança das pesquisas eleitorais, há uma grande articulação no meio político em busca de um candidato de centro para fazer frente a sanha da extrema direita, que aposta suas fichas no deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

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