19/06/2018
Login
Entrar




Opinião

14/03/2018

Editorial

Negociações para perder
Email
A-   A+
Na semana passada, e tão discretamente quanto possível, o ministro Henrique Meirelles esteve nos Estados Unidos, numa pauta cujo item principal, em Nova Iorque e Washington, era discutir a associação entre a Boeing, em posição majoritária, e a Embraer. Quando o assunto vazou pela primeira vez, a empresa norte-americana fingiu desinteresse, mesmo diante do anúncio da fusão entre a Airbus, sua principal concorrente, e a Bombardier, rival da Embraer no cobiçado mercado de jatos de porte médio. Agora a estratégia parece ter mudado e o gigante da indústria aeronáutica dá a entender que tem pressa e, principalmente, quer evitar que o assunto seja politizado.

Na perspectiva dos negócios globais, a operação parece óbvia e interessante, com ganhos de escala para as duas partes, mas as aparências, no mundo dos negócios, costumam ser enganosas. A Embraer chegar aonde chegou e resistir é quase um milagre. Não por acaso, e desde que o coronel Ozires Silva teimou que seria possível desenvolver tecnologia, formar mão de obra e produzir aviões de maior porte no País, houve quem apontasse a própria Embraer como o melhor símbolo do Brasil que deu certo. Mudar de roda, agora, por mais óbvio que seja o interesse da Boeing, parece ser o mesmo que renunciar a esta crença.

Por mais que a Boeing diga que as operações serão complementares e que haverá equilíbrio, é mais que suficiente lembrar que a própria empresa construiu seu império engolindo rivais. Uma “ética” que, nos Estados Unidos, principalmente, costuma ser apresentada como sinal de força e vitalidade, perfeitamente natural, onde a lei do mais forte prevalece. Já para quem pretender enxergar a possibilidade do negócio na perspectiva do interesse brasileiro talvez seja bastante lembrar o conceito América First que o presidente Trump não perde a chance de proclamar.

O fato objetivo é que a Embraer construiu o seu espaço, tornou-se líder global no mercado de jatos de médio porte e fez avanços substanciais também nas áreas de jatos executivos e no campo militar. Natural que seja cobiçada, mas nada natural que estes movimentos não sejam barrados, como, aliás, o governo brasileiro anunciou num primeiro momento, quando chegou a desmentir a possibilidade de negociação. Depois disse que aceitaria conversar sobre aviões comerciais e agora é a própria Boeing que dá a entender que a fatia militar também pode entrar no jogo, para produção conjunta de equipamentos de defesa.

Tudo isso, segundo as fontes norte-americanas, num acordo que estaria muito próximo de ser acertado, com o governo brasileiro renunciando a seu direito de veto. Um retrocesso para fazer acreditar que o sonho de dar certo pode ficar ainda mais distante para os brasileiros.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

19/06/2018
Ciro defende projeto de reindustrialização do Brasil
Pré-candidato do PDT quer parceria entre setores estatal e privado
19/06/2018
Editorial
Futuro adiado mais uma vez
19/06/2018
Geopolítica em evidência
Faltando poucos meses para as eleições no Brasil, a indefinição com relação aos nomes dos candidatos, o fenômeno da polarização e o...
19/06/2018
Tiraram a alegria das arquibancadas...
“Se a alegria popular definhou a culpa cabe, por inteiro,  à desastrosa condução dos negócios políticos e administrativos.” (Domingos Justino...
19/06/2018
O vulcão social
Os geofísicos ensinam que a fusão de rochas com materiais voláteis, quando submetidas a uma temperatura que pode chegar aos 1500º C, resulta em magma, substância...
› últimas notícias
Preço do diesel recua R$ 0,41 em Minas
Mais de 40% das empresas usam planilhas ao contratar
Inadimplência recua na Capital
TCU vai apurar se cobrança por despacho de bagagem reduziu preços das passagens
Governo espera movimentar a economia com liberação de saques
Leia mais notícias ›
› Newsletter
O melhor conteúdo exclusivo e gratuito no seu e-mail:




Cadastrar
› Mais Lidas
Leia todas as notícias ›
Publicidade
› Assine o DC

Acesso completo

aos conteúdos online e versão impressa.
Único jornal especializado em Economia, Negócios e Gestão de Minas Gerais.
Ferramenta indispensável para fazer bons negócios.
› Edição Impressa


19 de junho de 2018
Conteúdo exclusivo para assinantes
› DC no Facebook
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.