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Opinião

17/03/2018

Editorial

Política oferece mais do mesmo
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Pesquisa divulgada esses dias revela que apenas 20% dos brasileiros, considerada evidentemente a amostra avaliada, acredita que as eleições de outubro poderão representar para o País chance real de mudanças positivas. A corrupção, de que tanto se tem falado, está entre os motivos para a descrença predominante, acompanhada da falta de confiança nos atores da cena política. Nada, a rigor, que possa causar surpresa, até porque a aproximação das eleições faz ver que apesar de toda a turbulência dos últimos dois ou três anos, das promessas de mudanças e renovação, nada, de fato, parece ter mudado neste espetáculo que não desperta interesse nem convida o público.

Um resultado absolutamente previsível. Fala-se muito em reforma política no País, um tema presente desde a redemocratização, nos anos 80 do século passado. Muita conversa e quase nenhum resultado porque os agentes das transformações reclamadas, que deveriam acontecer no âmbito do Legislativo, seriam os primeiros a perder com uma mudança de curso e que continuam resistindo mesmo diante dos escândalos que vieram a público nos últimos anos. Esperava-se que já nas eleições de outubro pudesse ser diferente, com algumas reformas já implementadas, mas na realidade houve apenas acertos de acomodação.

Tudo isso fica bastante claro e pode ser percebido nas movimentações que vêm ocorrendo nesse período que pode ser definido como de pré-campanha. São os mesmos movimentos, as mesmas barganhas e, resumindo, as mesmas práticas que levam a maioria dos brasileiros à descrença. A rigor, e mais uma vez, não existem propostas, não existem promessas guarnecidas por programas de governo bem construídos, mesmo que todos saibam o tamanho dos desafios que estão pela frente. A ideia de passar o País a limpo, tão repetida faz pouco tempo, parece esquecida, nada sugerindo que a virada do calendário político possa, de fato, alimentar esperanças ou que a indignação em alguns momentos visível no espaço político, de fato não tenha sido mais que a explicitação de ambições frustradas.

Assim é que mais uma vez as atenções estão concentradas nos ditos presidenciáveis e em alianças e acordos que poderão ou não viabilizar um deles. São os mesmos métodos e os mesmos processos, indicando que adiante as mesmas anomalias serão reproduzidas. Sem nenhum espaço real para o interesse público, para um projeto que tenha a dimensão do interesse nacional, situando-se bem acima de nomes e de partidos, realizando a tão necessária correção de rumos, numa utopia da qual nem mesmo nos aproximamos.

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