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Opinião

16/05/2018

Editorial

Petrobras mais forte
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Com os resultados apresentados no primeiro trimestre do ano a Petrobras voltou a ser a maior empresa brasileira, desalojando a Ambev da primeira posição. A recuperação da estatal, ainda que em parte favorecida pela elevação das cotações do petróleo no mercado mundial, não deixa de ser surpreendente, consideradas as dificuldades que enfrentava há menos de dois anos, quando não faltou quem enxergasse na estatal uma situação bem próxima da insolvência. Situação que, aliás, se repete agora com a Eletrobras, que, numa movimentação absolutamente atípica no mundo dos negócios, é colocada à venda e ao mesmo tempo é depreciada pelos próprios controladores.

Quanto à Petrobras, parece evidente agora, por mais agressivo que tenha sido o processo de rapinagem de que a empresa foi vítima, que foram exageradas as avaliações então apresentadas, algumas dando como impossível a sua recuperação, outras apontando que a reconstrução poderia demorar mais de dez anos e a um custo ao mesmo tempo despropositado e fora do alcance dos bolsos brasileiros. E tudo isso, aparentemente, na tentativa de fazer ver que a privatização, rápida e a qualquer custo, seria a única saída.

Os resultados que a Petrobras já exibe se encarregam de provar o contrário, ao mesmo tempo que sugerem que pelo menos em parte as avaliações anteriores estavam desfocadas. Houve exagero e, muito provavelmente, conveniência, nada que chegue a surpreender no sensível e conturbado mundo dos negócios que envolvem petróleo. Cabe o registro e cabe o alerta, principalmente àqueles que não se dão conta de que o setor continua sendo altamente estratégico e, considerado o tamanho das reservas em território nacional, requer atenção e sensibilidade com relação àquilo que possa ser mais adequado aos melhores interesses do País.

É disso que se trata também quando a estatal anuncia, como fez há pouco, a intenção de vender participação em refinarias, privatizando quatro de suas treze unidades. Para a empresa, segundo seus dirigentes, não se trata de um programa de desinvestimento, mas sim de reposicionamento. Poderá ser também um grande engano, tendo em conta que o País hoje é autossuficiente em produção de óleo, porém ainda dependente da onerosa importação de refinados, com o a própria gasolina.

A ênfase na prospecção e na extração, principalmente a partir das descobertas do pré-sal, além dos problemas internos que a estatal enfrentou na sequência, levou claramente a um desbalanceamento que em nenhum sentido pareceu ser conveniente à Petrobras. Assim, na perspectiva de futuro e de consolidação, algo e ser corrigido e não agravado.

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