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Opinião

13/06/2018

Editorial

Abusos à luz do dia
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A administração federal coloca entre seus feitos mais marcantes a redução das taxas de juros ou, mais especificamente, a taxa de referência fixada pelo Banco Central. Houve de fato, nos últimos dois anos, uma redução significativa, coincidindo com a queda da inflação que, hoje, anualizada, não chega aos 2%, dentro dos padrões do mundo desenvolvido.

Bem diferente é a situação com relação aos juros de mercado, aqueles praticados pelos bancos comerciais nas operações regulares de crédito, que continuam dentro de patamares abusivos, sem comparação com o que ocorre no resto do planeta.

E, pior, sem sinais visíveis de que a situação possa mudar, dentro da lógica de que é preciso criar condições objetivas para a expansão dos negócios e da economia no seu todo. Em termos objetivos, essa política significa transferência de ganhos do setor produtivo para o setor financeiro, numa escala sem precedentes e que nem assim parece bastante aos bancos, muitos deles estrangeiros e que fazem de suas operações locais o meio mais prático de engordar os ganhos de suas matrizes. Nada evidentemente que faça sentido, pelo menos não na perspectiva dos interesses do próprio país.

Surpreende, nesse contexto, o recente anúncio de que os cinco maiores bancos que operam no País, numa relação que inclui os dois bancos públicos, elevaram suas tarifas de serviços no último ano em percentuais que equivalem ao dobro, ou mais, da inflação no período. Como os custos têm diminuído por conta da automatização e do uso de novas tecnologias, verifica-se que os bancos não repassam aos clientes parte de seus ganhos de eficiência, numa atitude evidentemente abusiva. Segundo avaliações mais antigas, as tarifas praticadas, que chegaram a subir até 9,7% em um ano, caso da Caixa Econômica Federal, bastariam para cobrir todos os custos de um banco, o que ajudaria a explicar porque o setor encontra, no País, as maiores margens de lucros na comparação com o resto do mundo.

Não há como, racionalmente, explicar ou justificar o que vem acontecendo e sem que padrões reguladores sejam aplicados, à semelhança do que se faz na maioria dos países. O abuso é evidente e como tal não poderia ser tolerado e, muito menos, praticado também pelos bancos públicos que por seu porte e condição têm peso para adotar práticas diferenciadas e capazes de colocar os demais bancos dentro de patamares pelo menos razoáveis. Também não faz sentido o discurso vazio de que a redução deve se dar pela competição e sem qualquer tipo de intervenção. No passado, esse mesmo argumento ajudou a promover a concentração bancária que, por sua vez, hoje sustenta abusos que não deveriam ser tolerados.

Tudo isso apenas para explicar que, além dos juros mais altos do mundo, o Brasil é também a terra onde os lucros dos bancos igualmente não têm comparação.

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