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Economia

05/04/2018

Inflação está em queda na capital mineira

Índice registrou variação negativa de 0,27% em março, menor patamar registrado em 24 anos neste período
Ana Amélia Hamdan
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Alimentação em casa ficou mais barata em março, com retração de 0,44% nos preços/Alisson J. Silva
A inflação em Belo Horizonte no mês de março teve queda de 0,27% na comparação com fevereiro, sendo o menor resultado para este mês desde 1994, ou seja, no período de 24 anos. No acumulado dos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 3,07%, o nível mais baixo em 19 anos. As informações foram divulgadas ontem pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais da Universidade Federal de Minas Gerais (Ipead/UFMG).

Segundo a coordenadora de pesquisa da Fundação Ipead, Thaize Vieira Martins Moreira, os significativos resultados do IPCA do mês passado são reflexo das quedas dos índices de inflação que vêm ocorrendo desde 2017 de maneira generalizada, com mais produtos e serviços tendo redução de preços.

Quanto ao mês de março especificamente, a maior contribuição para a queda da inflação foram os produtos não alimentares (-0,39), principalmente habitação (0,71%), despesas pessoais (-0,59%), vestuários (-0,71%), excursões (-6,41) e consertos de automóveis (-4,17%).

Além disso, em março, a alimentação em casa ficou mais barata, com queda de 0,44%, enquanto comer em restaurantes e bares ficou mais caro, com aumento de 1,36%.
Houve queda nos alimentos de elaboração primária, como carnes, ovos e leite. Foi registrada baixa de preços de alimentos industrializados (-0,11%) e de elaboração primária (-2,65%), como carne, ovos e leite. Por outro lado, os alimentos in natura subiram 3,44%, principalmente devido à influência das fortes chuvas próprias dessa época.

O preço da alimentação em restaurante subiu 1,23%, enquanto o de bebidas em bares e restaurantes teve alta de 2,55%. Segundo Thaize, o empresário desse tipo de comércio pode estar sofrendo o impacto da alta do salário mínimo, de reajuste de impostos, aumento do preço do gás de cozinha, entre outros. A alta do alimento in natura tem peso menor, mas também influencia. De acordo com o levantamento, o preço da gasolina comum continua puxando a inflação para o alto, com aumento de 0,69%.

O IPCA mede a evolução dos gastos das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Já o IPCR é referente às famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos e apresentou, na comparação de março com fevereiro, queda de 0,17%.

Cesta - Ainda de acordo com o levantamento do Ipead, a cesta básica apresentou alta de 1,89% em março no comparativo com fevereiro, atingindo o preço de R$ 401, o que corresponde a 42,03% do salário mínimo.

A alta foi puxada principalmente pelo aumento do preço da banana-caturra, que subiu 24,10%; do tomate Santa Cruz, que teve crescimento de 10,87%; e do pão francês, que subiu 0,74%. Pressionaram os preços para baixo a batata-inglesa (-12,47%); leite pasteurizado (-4,78); arroz (-5,31%) e farinha de trigo (-6,09). Nos últimos 12 meses, a cesta básica teve queda de 0,74%.

Juros - Quanto às taxas de juros, a pesquisa indica que, ao contrário da Selic, que vem sofrendo quedas e atingiu 6,50%, os juros cobrados pelos bancos não apresentaram queda. “Fica mantido o alerta para que as pessoas não entrem no cheque especial e nem adiem pagamento do cartão de crédito, pois as taxas têm patamares bem superiores ao da Selic”, alerta. A taxa de rotativo em atraso do cartão de crédito está, em média, de 13,61%. O do cheque especial está próximo disso, com 13,51%.

Já em relação às tarifas bancárias, a grande parte não sofreu alteração. O destaque foi para a cobrança de transferência agendada por meio de DOC/TED, que subiu, em média, 16,88% em março no comparativo com fevereiro.

Confiança - Os consumidores de Belo Horizonte continuam mostrando pessimismo. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) mostrou uma pequena melhora de 0,78%, atingindo 37,53 pontos. Indicam otimismo números acima de 50. Segundo Thaize Martins, o ICC vem crescendo gradualmente e acumula alta de 8,20% nos últimos 12 meses, mas ainda não foi suficiente para reverter o quadro de falta de confiança.

De acordo com o levantamento, dos itens que compõem o ICC, o pior avaliado foi emprego, com 22,26 pontos. Em seguida vêm inflação (26,85); situação econômica do país (27,44); pretensão de compra (41,43); situação financeira da família em relação ao passado (51,25) e situação financeira da família (57,44).

Segundo o Ipead, o grupo vestuário e calçados – citado por 26,67% dos entrevistados – lidera a lista dos bens e serviços que os consumidores pretendem comprar. Em seguida estão, entre outros, turismo (8,10%) e veículos (7,62%).

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