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Economia

16/05/2018

Minas se prepara para a produção de ímãs

CBMM e o IPT já estão desenvolvendo, em escala laboratorial, a liga que garantirá o processo industrial
Leonardo Francia
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O insumo ímãs de terras-raras tem maior aplicação na fabricação de motores elétricos, transformadores e geradores eólicos/Weg Equipametos
O projeto para a fabricação de ímãs de terras-raras no Estado, que pode ajudar a reduzir a dependência nacional da importação do produto, deu mais um passo rumo à produção em escala industrial. A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), já está produzindo, ainda em escala laboratorial, a liga de didímio-ferro-boro, que dá origem à fabricação de ímãs. Estes ímãs são componentes-chave de aplicações intensivas em energia, como aerogeradores e motores elétricos para máquinas industriais, eletrodomésticos, elevadores e carros híbridos e elétricos.

As primeiras amostras de tiras ou flakes desta liga foram obtidas recentemente em escala laboratorial, graças à aquisição de um equipamento único no Brasil, mediante um aporte de R$ 500 mil da CBMM, em um projeto de R$ 2,7 milhões, no âmbito da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), como explicou o  diretor do Centro de Tecnologia de Metalurgia e Materiais do IPT e coordenador do programa, João Batista Ferreira Neto.

“Na verdade, essa é a segunda fase de um projeto maior, que visa à produção dos ímãs propriamente ditos. Esta etapa deve ser finalizada em outubro e o objetivo é produzir a liga de didímio-ferro-boro, que dá origem aos ímãs. Essa liga é um produto importante da cadeia produtiva e sua produção em escala laboratorial é relevante porque permitirá a avaliação da qualidade do imã que será produzido”, afirmou o coordenador do projeto pelo IPT.
Em termos técnicos, basicamente, o equipamento adquirido pela CBMM opera a partir da técnica denominada strip casting, que consiste no resfriamento da liga líquida para rápida solidificação e obtenção de tiras metálicas. A espessura e a composição química dessas tiras têm efeito direto no desempenho do ímã a ser produzido.

A primeira fase do programa, segundo Ferreira Neto, visou à obtenção do metal didímio a partir do óxido de terras-raras produzido pela CBMM, em Araxá, no Alto Paranaíba. Foi com a produção desta unidade que o metal foi obtido pela primeira vez no Brasil. Além disso, o resultado das análises mostrou que o metal tinha pureza adequada para a produção da liga e padrões técnicos compatíveis com normas mundiais.

A produção do metal foi viável porque os produtos de terras-raras usados como matéria-prima para a fabricação dos ímãs são extraídos no mesmo processo de produção do nióbio pela CBMM. Dessa forma, ainda existe uma vantagem competitiva porque a operação, incluindo lavra, beneficiamento e produção, já é praticamente custeada, uma vez que o processo é o mesmo do nióbio.

A terceira e última fase do projeto é a construção de um laboratório-fábrica de ímãs de terras-raras da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que será implantado em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A planta está recebendo investimentos de R$ 80 milhões, distribuídos em obras civis, compra de equipamentos e estudos de viabilidade, e será a primeira do País na fabricação de ímãs.
Ainda não há uma previsão para a conclusão das obras da unidade e nem para o início das operações, mas a Codemig já informou que o empreendimento pode gerar 5,6 mil empregos, entre diretos e indiretos.  A capacidade anual da planta será de 100 toneladas de ímãs e a área construída deve ser de 5,1 mil metros quadrados.

Demanda - De acordo com o coordenador do projeto pelo IPT, essa capacidade é suficiente para atender à demanda da Weg, parceira do projeto e especializada na fabricação e comercialização de motores elétricos, transformadores e geradores eólicos, de Santa Catarina. “Se considerarmos que a Weg importa pouco mais de 100 toneladas de ímãs de terras-raras da China ao ano, a produção do laboratório-fábrica poderia suprir a empresa”, disse.

A produção de ímãs de terras-raras em Minas Gerais pode reduzir a dependência do Brasil das importações do produto. A China tem o monopólio de 97% da produção mundial de óxidos de terras-raras e limita a exportação por meio de cotas. Como consequência, o mercado nacional passou a ser atendido exclusivamente via importação, o que resultou em volatilidade de preços e escassez de oferta.

Parcerias - Além da CBMM, do IPT e da Codemig, também são parceiros do projeto: a Weg; a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi); a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN) e as empresas Imag e Brats.

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