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Economia

13/03/2018

Mineroduto se rompe e contamina córrego

Vazamento ocorre em Santo Antônio do Grama, interrompendo abastecimento de água à população
Leonardo Francia
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Mineroduto da Anglo American, ainda em fase de implantação no Sistema Minas-Rio/Divulgação
Menos de três anos depois do acidente da Samarco, em Mariana (região Central), mais um problema ambiental acontece em Minas Gerais, provocado pela indústria da mineração. O mineroduto da Anglo American, que leva a polpa de minério (70% de minério de ferro e 30% de água) de Conceição do Mato Dentro (Médio Espinhaço) até o litoral fluminense e faz parte do Sistema Minas-Rio, se rompeu em Santo Antônio do Grama (Zona da Mata) e contaminou o leito do córrego Santo Antônio, prejudicando o abastecimento de água da cidade. Não houve vítimas ou desalojados.

A companhia paralisou a produção no complexo, interrompeu o fluxo de polpa no duto e está disponibilizando, em caráter emergencial, caminhões-pipa para garantir o abastecimento de água ao município. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pelo licenciamento ambiental da estrutura, está avaliando as consequências do acidente ao meio ambiente para definir eventuais sanções administrativas, mas descartou, momentaneamente, a suspensão da licença de operação (LO) do mineroduto, com validade até 2021.

A Anglo American informou que o rompimento da tubulação aconteceu por volta das 7h42 de ontem, quando a companhia comunicou o ocorrido às autoridades competentes. De acordo com a Anglo American, durante 25 minutos, vazaram cerca de 300 toneladas de polpa. A ruptura ocorreu próximo à estação de bombas EB2 e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) explicou que interrompeu o abastecimento de água para o município às 10h, antes da chegada da mancha de minério ao ponto de captação no córrego Santo Antônio, o que ocorreu às 13h.
 

A Copasa detalhou que os caminhões-pipa disponibilizados pela Anglo serão abastecidos na Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Casca e estariam disponíveis para a população no início da noite de ontem. A concessionária alertou ainda que o consumo de água deve ser “consciente”, já que o abastecimento por caminhões é emergencial.

Equipes técnicas da Copasa e do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) se deslocaram para o local do acidente para verificar os danos ambientais, o nível de contaminação da água do córrego Santo Antônio e monitorar a situação. O órgão ambiental acrescentou que a expectativa era de que a pluma de contaminação atingisse o curso d’água no município e em Rio Casca até às 22h de ontem. A Semad também solicitou à empresa que apresente um comunicado com as ações em desenvolvimento.

Segundo informações da Semad, a Anglo American está monitorando a qualidade da água superficial em 10 pontos no ribeirão Santo Antônio, até o rio Casca, abaixo do ponto de captação da Copasa. Também está sendo feito acompanhamento dos sedimentos em 30 pontos no ribeirão Santo Antônio e foram colocadas barreiras no ribeirão, para conter o material depositado no curso d’água.

A Anglo American esclareceu que a produção de minério de ferro do Minas-Rio foi paralisada em Conceição do Mato Dentro, “até que as causas do acidente sejam esclarecidas”. “A prioridade é garantir as medidas de controle e mitigação dos impactos socioambientais”, afirmou a mineradora em nota à reportagem. A empresa também disponibilizou maquinário necessário a reforçar as atividades de resposta à emergência.

A mineradora reforçou, no documento, que “o vazamento foi de polpa de minério, composta por 70% de minério de ferro e 30% de água, sendo classificada pela NBR 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como resíduo não perigoso”. Conforme a companhia, as informações sobre o volume de material vazado estão em apuração.

A Anglo também interrompeu o fluxo do mineroduto e, como medida de segurança complementar, bloqueou o acesso ao local. A companhia está coordenando ações em conjunto com a Suatrans, consultoria especializada no atendimento a urgências ambientais, e com o Serviço Nacional da Indústria (Senai), para colher amostras de água e viabilizar a avaliação continuada da situação.

Licença – O Ibama, órgão que concedeu a LO do mineroduto, uma vez que a estrutura passa por mais de um estado, informou que já deslocou sua equipe do Núcleo de Emergências Ambientais (NEA) ao local para avaliar a situação. “Somente após a vistoria o instituto poderá avaliar as consequências ao meio ambiente e emitir eventuais sanções administrativas. A LO nº 1260/2014 do empreendimento é válida até 2021 e não será suspensa”, pontuou, em nota, o Ibama.

Ainda de acordo com o Ibama, “as informações recebidas até a noite de ontem pelo instituto apontavam que a polpa de minério (mistura de minério de ferro com água, para facilitar o escoamento pelo mineroduto) vazada não possui entre seus componentes substâncias químicas ou tóxicas. Os resíduos provocaram turbidez da água mas não apresentariam riscos à saúde humana”.

AUTORIZAÇÃO OPERACIONAL PROVISÓRIA É ESPERADA

O Projeto Minas-Rio da Anglo American enfrentou uma série de problemas, a maior parte ligada ao licenciamento ambiental e a entraves com donos de terras por onde o mineroduto passa. Atualmente, a mineradora aguardava, e previa conseguir, a Autorização Operacional Provisória (APO) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) da Fase 3 do Minas-Rio antes de novembro deste ano.


Sistema Minas-Rio, da Anglo American, transporta polpa de minério de ferro a partir de Conceição do Mato Dentro

A autorização permitirá à companhia iniciar as atividades que viabilizarão uma produção anual de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro no complexo, localizado entre Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas (Médio Espinhaço). A mineradora projeta conseguir a licença operacional (LO) definitiva do órgão até meados de 2019.
No ano passado, o Minas-Rio recebeu aporte de US$ 23 milhões, 79% menos que em 2016, quando os investimentos no empreendimento alcançaram US$ 109 milhões.

Apesar do volume de recursos, no começo de 2016 a Anglo confirmou, em anúncio global, que o sistema “não fazia mais parte dos seus ativos centrais, o que significa que a unidade não receberia investimentos adicionais do grupo”.

Em 2017, a produção do empreendimento chegou a 16,8 milhões de toneladas do produto. Na comparação com 2016, quando saíram do Minas-Rio 16,1 milhões de toneladas do insumo, houve um aumento de 4%.

Hoje, o Minas-Rio possui cerca de 4,8 mil empregados diretos e indiretos, dos quais aproximadamente 1,6 mil são mão de obra da região da mina. O sistema é uma operação de exportação de minério de ferro integrada, com mina, usina de beneficiamento e mineroduto de 529 quilômetros até o litoral fluminense, no terminal de Porto de Açu, em São João da Barra (RJ).

O sistema Minas-Rio foi adquirido pela Anglo da MMX Mineração e Metálicos, que chegou a fazer parte do império de empresas do empresário Eike Batista, em 2007, por US$ 1,1 bilhão. Inicialmente, a negociação envolveu 49% do projeto, que compreendia na época apenas a mina e a planta de beneficiamento. Depois, em agosto de 2008, a Anglo comprou por US$ 5,5 bilhões o restante do empreendimento, 49% do terminal portuário e 70% de um ativo minerário em Amapá.

Além das minas e do terminal portuário, o empreendimento conta com o mineroduto de 529 quilômetros de extensão, o maior do planeta. O duto atravessa 33 municípios entre o complexo minerário em Conceição do Mato Dentro e o Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), onde a mineradora tem participação em sociedade com a Prumo Logística.

Licenciamento - O investimento total no projeto (US$ 8,4 bilhões) ultrapassou em 180% a estimativa inicial da Anglo de US$ de 3 bilhões para colocar o sistema em operação. Isso porque a construção do empreendimento enfrentou uma série de problemas, a maior parte ligada ao acesso às terras e ao licenciamento ambiental e a mineradora revisou várias vezes o orçamento.

Se o valor total da negociação (US$ 6,6 bilhões) for adicionado aos US$ 8,4 bilhões que o projeto demandou para entrar em operação, o gasto no empreendimento chega a algo próximo de US$ 15 bilhões, investimento muito mais alto que o previsto quando a Anglo começou a apostar no projeto.


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