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Opinião

13/07/2018

Obstinado e vitorioso

ARISTOTELES ATHENIENSE *
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A vitória de Andrés Manuel López Obrador, AMLO, 64, como presidente do México, merece ser exaltada pelo seu projeto de governo e, sobretudo, pela sua tenacidade.

Em 2006, concorreu com Felipe Calderón, sendo derrotado por uma diferença de 250 mil votos num pleito, que, embora fraudulento, obteve confirmação na Justiça eleitoral. conhecido o resultado, para demonstrar a sua indignidade com aquele desfecho, deixou-se fotografar com a faixa presidencial sobre o peito, além de instituir um “gabinete legítimo”, que contou com o apoio de dezenas de milhares de simpatizantes.

Eleito prefeito, convocou o magnata Carlos Slim para restaurar o Centro Histórico da capital, contando com a colaboração de Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, para reduzir os alarmantes índices de criminalidade da cidade.

Desde então, iniciou uma longa campanha, que incluiu o conhecimento direto e pessoal dos 2.500 municípios do país.

Inobstante a repercussão positiva de sua administração, foi derrotado em 2012 pelo candidato do PRI, Enrique Peña Nieto, por uma diferença exígua de 31,6% para 38,2%, que assegurou a vitória de seu opositor.

Em face da votação obtida e pretendendo enfrentar nova disputa, criou a legenda de que carecia para levar adiante os seus propósitos. Nasceu, assim, o Movimento de Regeneração Nacional (Morena), tendo como emblema: “Pelo bem de todos, primeiro os pobres”.

A campanha agora encerrada importou na queda da hegemonia do partido da Revolução Institucional (PRI), numa tumultuada disputa em que pereceram 145 políticos. O México conta com 125 milhões de habitantes, sendo que a maior parte de sua exportação é destinada aos Estados Unidos.

Ao longo do processo eleitoral, o candidato vitorioso assumiu o compromisso de fazer um governo “austero, sem luxos e privilégios”, enfatizando que “o principal problema do México é a corrupção. Esta é a principal causa de desigualdade econômica, a corrupção desatou a insegurança”. O mote de seus discursos consistiu na necessidade de que “o país seja limpo dos malfeitores existentes no poder”.

As modificações que pretende implantar compreendem a redução de seu salário pela metade, a eliminação dos aviões do presidente e a transformação da residência presidencial em Centro de Cultura.

A vitória contundente, obtida com mais de 53% dos votos válidos, importou na subida da segunda economia latino-americana ao comando da nação.

Ao contrário de Trump, Amlo defende a manutenção do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, com a participação do Canadá. A sua posse ocorrerá em 1º de dezembro vindouro.
Assim que conhecidos os resultados irreversíveis da eleição, López Obrador manteve contato telefônico com Donald Trump, adiantando-lhe a sua intenção em “reduzir a migração e melhorar a segurança”, o que foi bem recebido pelo mandatário vizinho.

Resta agora saber se, diante das destemperadas manifestações de Trump, contrárias à imigração de mexicanos aos Estados Unidos, além da construção do muro prometido na campanha eleitoral, a eleição de um novo presidente, que recebeu consagradora votação do eleitorado, poderá corresponder à expectativa de seus apoiadores.

Só o futuro responderá a esta indagação.

* Advogado, Conselheiro Nato da OAB, Diretor do IAB e do Iamg

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