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Política

16/05/2018

Presidente ignora inquéritos em balanço de governo

Temer diz que ?tirou o Brasil do vermelho?
Reuters
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Michel Temer omitiu os nomes de seus ex-ministros que foram presos na sua gestão/Adriano Machado/Reuters
Brasília - O presidente Michel Temer afirmou ontem que seu governo foi capaz de “tirar o Brasil do vermelho e o colocar no rumo certo”, mas ignorou as denúncias de corrupção que o envolveram diretamente assim como a integrantes da sua gestão, em discurso de quase uma hora no Palácio do Planalto no qual exaltou os feitos dos seus dois anos de governo.
“Creio que todos nós fomos capazes de tirar o Brasil do vermelho e o colocar no rumo certo. Não são palavras apenas, os fatos comprovam”, disse Temer, numa solenidade que contou com a presença de atuais e ex-integrantes de governo.

O presidente afirmou que sua gestão tinha um “plano e coragem” para pô-lo em prática, ao usar como referência de governo o documento “Ponte para o Futuro”, escrito pelo MDB ainda durante o governo Dilma Rousseff.

Temer desfilou uma série de feitos da sua gestão na área econômica, como a queda da inflação e o fim da recessão, e na área social, como o aumento do valor do benefício do Bolsa Família e do número de beneficiários do “Minha casa, minha vida”.

O chefe do Executivo fez um afago ao ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, pré-candidato a presidente pelo MDB e presente ao encontro. Disse que ele ajudou a “transformar” o País.

Contudo, o presidente não fez qualquer menção às denúncias criminais feitas contra ele pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot a partir das delações de executivos da J&F, holding que controla a JBS, que tiraram a maior parte do seu capital político e ameaçaram sua permanência no cargo.

Ele também ignorou a Operação Lava Jato fez uma única citação ao trabalho da Polícia Federal, apenas para exaltar o trabalho da corporação na apreensão de drogas.
Alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) conduzidos pela PF, Temer já manifestou publicamente contrariedade com o vazamento de informações de investigações contra ele.

Temer também fez uma rápida menção à reforma da Previdência, que naufragou em sua gestão. Mas preferiu dividir a responsabilidade sobre a proposta. “Se engana quem pensa que a reforma da Previdência não será aprovada”, disse, ao destacar que o assunto será debatido durante a campanha eleitoral pelos candidatos a mandato eletivo no pleito de outubro.

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Desemprego - No discurso, Temer disse que o desemprego - um dos principais problemas da sua gestão - “parou de crescer”, embora ele atualmente seja maior do que na época em que ele assumiu o Planalto após o impeachment de Dilma Rousseff.

O presidente citou nominalmente quase todos os ex-ministros, que deixaram os cargos para concorrer a cargos eletivos, e afirmou que a responsabilidade daqueles que assumiram em abril é grande. “Vocês estão substituindo um time vencedor”, disse.

Entretanto, ele não citou o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, um dos principais auxiliares que, após deixar o governo na esteira de acusações feitas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, está preso desde o ano passado. Tampouco mencionou o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, outro aliado próximo que também chegou a ficar preso até ser recentemente beneficiado com a prisão domiciliar.

“Não se trata de uma comemoração, porque temos muito ainda a fazer”, disse ele, ao citar que ainda há sete meses de sua gestão a cumprir.

Temer agradeceu o apoio dos congressistas, que o ajudaram a aprovar as reformas, e repetiu ter exercido uma espécie de semipresidencialismo na sua gestão. Afirmou novamente que os Poderes são independentes, mas harmônicos entre si. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), foram convidados, mas não estavam presentes à solenidade, alegando outros compromissos.

No fim, o presidente defendeu a pacificação do País após as eleições. Ele disse que todos devem buscar o “bem comum” e disse que não se pode ter brasileiros contra brasileiros.

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