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Agronegócio

17/05/2018

Retração nas exportações compromete mercado de frango em Minas Gerais

Setor deve regular oferta para evitar queda de preços
Michelle Valverde
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Em abril o quilo do frango vivo caiu para R$ 2,10, subindo para R$ 2,50 em maio/Mapa/Divulgação
Com a retração nas exportações e o início do embargo europeu às aquisições de carne de frango de 20 unidades frigoríficas do País, o cenário é desafiador para os produtores de frango. Com as negociações suspensas, a tendência é que a oferta de carne no mercado interno aumente, o que pode contribuir para a retração dos preços. Uma possível queda nos valores pagos pelo frango vivo complicaria ainda mais a situação das granjas, que já trabalham com custo de produção em alta em função da valorização do milho. Apesar de Minas Gerais não ter nenhuma planta industrial na lista dos embargos, o mercado do frango no Estado pode ser prejudicado com o aumento da oferta de carne proveniente de outros estados produtores.

O embargo à carne de frango de 20 unidades produtivas foi anunciado em 19 de abril e iniciado ontem. A estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) é que a suspensão das exportações destas unidades para a União Europeia gere perdas próximas a 30% sobre o total do produto exportado pelo Brasil para o bloco, que é composto por 28 países. A situação agrava o cenário do frango, que vem enfrentando preços baixos e aumento dos custos.

De acordo com o consultor analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, 2018 tem sido um ano difícil para a avicultura. Além das exportações em queda, os custos de produção estão elevados. Por isso, o momento é delicado para o setor, que deve procurar formas de manter a oferta ajustada ao consumo, evitando novas quedas de preços.

 “O embargo às exportações de carne de frango vem agravar o cenário. Abril foi marcado pelo pior desempenho dos embarques nacionais na última década e junto a isto veio o aumento dos custos de produção”.

Em Minas Gerais o desafio também será grande. De janeiro a abril, as exportações de carne de frango recuaram expressivos 38,6% em faturamento, que chegou a US$ 66,8 milhões. Ao todo, foram destinados ao mercado externo 40,9 mil toneladas de corte de frango, volume 38,8% menor.

Com a queda nas exportações, várias granjas já estão em processo de redução do alojamento. De acordo com Iglesias, a redução já mostrou resultados no mercado.

Preços - “Os preços do frango vivo reagiram e encontraram espaço para alta na primeira quinzena de maio. Mas, em todo caso, o cenário é muito complicado e difícil para o setor”, analisa Iglesias.

Segundo ele, no momento existe uma necessidade crônica de manter a oferta ajustada ao mercado interno, uma vez que não existem expectativas de recuperar as exportações. “Por mais que o câmbio esteja desvalorizado, o País precisa recuperar a credibilidade, principalmente no mercado europeu. Mesmo a Europa não sendo a grande consumidora de carne de frango do Brasil, decisões tomadas pelo bloco podem ser seguidas por outros países e impactar em grandes mercados consumidores do País, como Japão, Hong Kong e Oriente Médio. A situação é muito complicada”, observa.

Entre março e abril, o quilo do frango vivo registrou um dos valores mais baixos em Minas Gerais, R$ 2,10. A partir da primeira semana de maio, foi registrada elevação com o produto sendo negociado em 15 de maio a R$ 2,50 por quilo do frango vivo.

“A alta registrada na primeira quinzena de maio, é um sinal de que as indústrias estão controlando o alojamento e, isso reflete na produção de frango. Já estamos em um cenário de oferta ajustada e tem que ser assim. Caso contrário, o problema tende a ser mais sério que o observado até o momento. O ajuste de produção também é importante em um cenário de custos elevados”, explicou Iglesias.

Custos - Com a tendência de um mercado mais abastecido após o embargo da União Europeia, o controle dos custos de produção será essencial ao longo dos próximos meses. Iglesias destaca que nos últimos meses foi registrada valorização significativa dos preços do milho e do farelo, principais insumos utilizados na produção de frangos. A tendência é de preços altos no segundo semestre, caso realmente ocorra quebra na safrinha de milho.

“O custo de produção elevado é um problema sério para o setor. Muitas empresas estão reduzindo os alojamentos para reduzir custos e ajuste da oferta. Mas, isso impacta no mercado, já que ocorrem demissões e férias coletivas. É uma ação prejudicial para a economia brasileira”, explicou Iglesias. 

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