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14/04/2018

Tarifa de cartão de crédito pode ter teto

AE
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São Paulo - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse na sexta-feira (13) que a instituição avalia fixar um teto para as tarifas operacionais dos cartões de crédito, como já foi definido recentemente para os de débito. O objetivo é baratear os custos das transações para os lojistas e que esta redução chegue ao consumidor, estimulando assim o uso de meios eletrônicos de pagamentos.

A partir de 1º de outubro, o BC determinou que haverá limitação dos porcentuais da chamada tarifa de intercâmbio dos cartões de débito, que poderão chegar a no máximo 0,8% de cada transação. A taxa de intercâmbio é a tarifa que a empresa que credencia as lojas paga para o emissor do cartão, os bancos, em cada transação com o plástico.
“Com a medida nos cartões de débito, nossa expectativa é que a redução seja repassada para o credenciador e ao lojista e chegue ao consumidor por meio da concorrência”, afirmou o presidente do BC na sexta-feira em evento do Insper e do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

“Obviamente, vamos continuar avaliando se o teto (para o débito) é correto, se tem que reduzir mais. Vamos avaliar também se é preciso colocar um teto em outros instrumentos, como cartões de crédito”, afirmou Ilan em seu discurso. «Tudo isso faz parte de nossa agenda neste ano», ressaltou.

“Estamos incentivando a competição nos meios de pagamento”, disse Ilan na sexta-feira, durante palestra. O objetivo do BC é aumentar o uso de meios eletrônicos, como os cartões de débito, considerados mais eficientes que o papel de moeda. Isso trará redução de custos para todo mundo, afirmou ele. «Foram adotadas medidas que melhoram a concorrência e tornam o uso do cartão de crédito mais eficiente e barato», argumentou o presidente do BC.

Entre as medidas recentes para estimular meios eletrônicos de pagamento, Ilan destacou que o governo passou a permitir a diferenciação de preços para quem paga uma compra à vista, que paga valor menor. Isso era prática comum no comércio, mas não era regulamentado, observou ele. “Hoje se tornou formal. Com isso se consegue diferenciar se o pagamento é à vista ou a prazo”, observou. O dirigente disse ainda que no ano passado o BC aumentou seu poder fiscalizador e punitivo para as instituições do sistema financeiro.

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Juros
- O presidente do Banco Centra ressaltou que há espaço para a autoridade monetária estimular a economia reduzindo os juros. “Estamos de um lado com inflação baixa e com espaço para tentar estimular a economia novamente reduzindo os juros e outras medidas. Ao mesmo tempo temos que saber que para frente há incertezas”, afirmou durante palestra em evento do Instituto Coalização Saúde (Icos).

Entre as incertezas, Ilan ressaltou que o cenário externo não deve continuar benigno para sempre, pois os juros vão subir nos mercados desenvolvidos e há ainda o aumento de tensões comerciais. Há também riscos no ambiente doméstico, principalmente a paralisação da agenda de reformas estruturais. «O BC tem que olhar de um lado a inflação baixa e do outro o futuro», disse ele.

A Selic caiu forte, mas a taxa de juros para o tomador final ainda não, ressaltou Ilan Goldfajn. O dirigente destacou que esse fenômeno é natural, pois o sistema financeiro vem a reboque do corte de juros, e o BC tem tomado medidas estruturais para tentar acelerar este processo.

No crédito, o presidente do BC disse que os empréstimos voltaram a crescer, puxados basicamente pelas pessoas físicas. Nas empresas ainda não houve o mesmo desempenho e parte disso é explicado pelo avanço das operações no mercado de capitais. “Se de um lado o crédito bancário está crescendo devagar, no mercado de capitais há uma robustez.” Custos para emitir debêntures, por exemplo, já ficaram mais baratos que captar dinheiro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Isso é uma competição saudável.”

Ao falar da retomada da economia, Ilan observou que o emprego sempre começa a se recuperar com um pouco de defasagem. É comum o emprego começar a melhorar não na área formal, mas em trabalhos por conta própria, temporários e na economia informal, observou o dirigente. «Nos trabalhos mais formais o impacto mais forte vem à medida que a recuperação vai se consolidando», lembrou. “A sensação de recuperação da economia começou a ser sentida, de fato, no segundo semestre do ano passado”, afirmou o presidente do BC.

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