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Internacional

13/07/2018

Trump declara vitória em cúpula da Otan

Presidente dos EUA diz que membros da organização aceitaram aumentar gastos com defesa; Macron nega
Agência Estado
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Trump reafirmou também compromisso do país com a Otan/Divulgação
Bruxelas - O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, encerrou sua participação na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ontem declarando vitória e afirmando que os países membros cederam às suas exigências de aumentar os gastos com defesa. Mas o presidente francês, Emmanuel Macron, rapidamente contestou tal afirmação e disse que os gastos ficarão no estabelecido de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da cada país.

“O compromisso dos Estados Unidos com a Otan continua muito forte”, disse Trump a repórteres. O presidente americano usou sua participação no encontro em Bruxelas para repreender os membros do tratado por não gastarem o suficiente com defesa. Ele acusou a Europa de se aproveitar dos EUA e levantou dúvidas sobre defender os aliados em caso de ataque.

“Eu avisei que estava extremamente infeliz com o que estava acontecendo”, destacou o presidente, acrescentando que os países europeus concordaram em aumentar seus gastos. “Eles aumentaram substancialmente seu comprometimento e agora estamos muito felizes e temos uma Otan muito, muito poderosa, muito forte”, declarou.

Apesar disso, Trump não especificou quais países haviam se comprometido ou qual o teor do comprometimento. O presidente pareceu sugerir um cronograma acelerado, apontando que as nações estariam “gastando em um ritmo muito mais rápido”. “Alguns estão em 2%, outros concordaram definitivamente em ir além dos 2%”, disse.

Em 2014, os países da Otan se comprometeram a gastar 2% de seu PIB na área de defesa até 2024. A organização estima que apenas 15 membros, pouco mais da metade, devem atingir a meta dentro do prazo.

Macron, durante coletiva, rejeitou a afirmação de Trump de que os signatários concordaram em aumentar a meta para além dos 2% já estabelecidos. Ele disse apenas que os países membros reiteraram sua intenção de chegar aos 2% até 2024.

A fala do presidente francês ocorreu em meio a relatos de que Trump teria ameaçado deixar a aliança caso seus membros não aumentassem os gastos, mas autoridades disseram que nenhuma ameaça explícita foi feita. “O presidente Trump nunca, em público ou em particular, ameaçou se retirar da Otan”, afirmou Macron.

Hostilidade - Trump adotou um tom agressivo durante a cúpula, questionando o valor da aliança que definiu, por décadas, a política externa americana. Ontem, o presidente se dirigiu aos aliados pelo Twitter, dizendo que “presidentes têm tentado, sem sucesso, por anos, fazer a Alemanha e outras nações ricas da Otan a pagar mais por sua proteção da Rússia”.

Ele reclamou que os EUA “pagam dezenas de bilhões de dólares” para subsidiar a Europa e exigiu que as nações cheguem à meta dos 2%, acrescentando que “deve chegar a 4%”.

Censurado por sua postura amigável a Vladimir Putin, Trump também criticou duramente os laços da Alemanha com a Rússia, alegando que um empreendimento de gás natural entre Berlim e Moscou deixou o governo da chanceler Angela Merkel “totalmente refém” da Rússia.

Os ataques continuaram, com Trump reclamando que “a Alemanha acabou de começar a pagar a Rússia, o país do qual querem se proteger”. “Não é aceitável!”, declarou, antes de reuniões com líderes do Azerbaijão, Romênia, Ucrânia e Geórgia.

Durante a viagem, Trump também questionou a necessidade da existência da aliança, que foi um baluarte contra a agressão soviética. Depois de um dia de encontros contenciosos, ele recorreu ao Twitter, mais uma vez, para fazer suas críticas. “De que adianta a Otan, se a Alemanha está pagando à Rússia bilhões de dólares por gás e energia?”.

Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental comunista, rebateu as declarações dizendo que vivenciou parte da Alemanha controlada pela União Soviética. “Hoje estou muito feliz por estarmos unidos em liberdade como República Federal da Alemanha e assim podermos dizer que podemos determinar nossas próprias políticas e tomar nossas próprias decisões”.

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