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Finanças

19/10/2013

"Abandono" gera divergências

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Especialistas dizem que ele continua de pé, mas "fragilizado" por aumento em gastos públicos.

Faltando um ano para as eleições presidenciais, as disputas políticas atravessam cada vez mais as discussões relativas à economia brasileira. A crítica da vez foi da ex-ministra Marina Silva que, na última semana, acusou o governo federal de ter abandonado o tripé econômico, instituído ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. A presidente Dilma Rousseff reagiu e afirmou mais uma vez que o modelo continua em vigor. Especialistas reconhecem que ele continua de pé, mas "fragilizado", principalmente em relação aos gastos públicos que tendem a aumentar nos próximos 12 meses.

"O tripé não é do Brasil. São condições de funcionamento de qualquer país, independente do viés político ou ideológico", observa o economista Cezar Medeiros, consultor de investimentos empresariais e governamentais. Ao contrário do que tem dito a oposição ao governo Dilma e da opinião de alguns especialistas, Medeiros entende que "está tudo sob controle". O modelo do tripé é formado pela geração de superávits primários nas contas públicas, pelo regime de câmbio flutuante e a definição de metas para a inflação.

Para Medeiros, um dos pés desse modelo, o da responsabilidade fiscal, que significa não gastar mais do que arrecada, está assegurado, uma vez que "o Brasil ainda tem capacidade de tomar financiamentos e pagá-los". A variação cambial, que deveria ser livre, também está sendo mantida, avalia, a não ser em episódios mais agudos como o que ocorreu recentemente, em que houve um certo temor de redução de liquidez nos Estados Unidos.

"Nem o Fundo Monetário Internacional nem o Banco Mundial impedem que qualquer país faça controles cambiais", defende Medeiros, lembrando das palavras de Dilma, de que o Brasil tem cerca de US$ 378 bilhões de reserva. Para ele, diante dessas últimas turbulências, não havia como o Banco Central não intervir no câmbio.

Para ele, a inflação, que nos últimos meses tem alcançado e até ultrapassado o teto da meta, de variação anual de 6,5%, chegando a 5,86% em outubro, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-IBGE), "está permanecendo saudável". Este aumento, segundo ele, é uma conseqüência natural do aumento da demanda do setor de serviços, em virtude da melhoria da distribuição de renda. Sobretudo com a chegada dos consumidores das classes D e E ao mercado.

Quanto às críticas de que o governo federal está manipulando números da inflação, restringindo aumento de preços em setores como o de combustíveis, energia ou transporte, Medeiros desqualifica. "Todo governo faz isso. São preços administrados", explicou, lembrando que uma agência reguladora tem justamente essa função de estimular uma empresa a ter lucro e, ao mesmo tempo, de segurar a rentabilidade para proteger o consumidor.

Na avaliação de Medeiros, ao contrário do que dizem os opositores do governo federal, há um programa consistente de governo, que deve ser concluído no prazo de 25 a 30 anos, que é fazer com que a população do Brasil seja predominantemente da classe média. Para o economista, a política macroeconômica está cumprindo o seu papel que é o de viabilizar programas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Brasil Maior, com vistas ao aumento de capital.

Sua ressalva é a estratégia adotada pelo governo para tentar conter a inflação, de aumentar a taxa básica de juros (Selic), que passou de 7,5% em abril para 9,5% em outubro. "Isso é um equívoco, pois diminui a capacidade de o governo investir e dificulta a aquisição de serviços, pela população".

 

ANDRA ROCHA

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