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13/04/2018

Academia Feminina aborda obra da escritora Elvira Vigna

Rogério Faria Tavares *
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Convidado por Maria Elisa Chaves Machado, presidente recém-empossada da Academia Feminina Mineira de Letras (Afemil), tive a oportunidade de conversar sobre a obra literária de Elvira Vigna (Foto) durante a sessão que a entidade realizou na quarta-feira (11). Fundada em 1983, para agregar as mulheres apaixonadas pela literatura, há três décadas e meia a instituição desempenha belo trabalho de divulgação de livros e autores, contribuindo para disseminar o hábito fundamental da leitura. Várias de suas integrantes publicam com regularidade, como Elizabeth Rennó e Carmen Schneider Guimarães. Outras são líderes culturais importantes, como Maria Inês Marreco, fundadora e diretora da excelente Idea Casa de Cultura, instalada no charmosíssimo palacete da rua Bernardo Guimarães 1.200. Amada por leitores de todo o Brasil, Alaíde Lisboa (autora dos clássicos “A bonequinha preta” e “O bonequinho doce”) também pertenceu à Afemil.

Elvira Vigna já foi tema, se não me engano, de dois ou três textos que escrevi neste espaço. Nascida em 1947, morreu de câncer no ano passado, deixando um legado considerado por muitos críticos como ‘incontornável’. Depois de dedicar-se à ilustração de livros infantis, começou a escrevê-los. Lançou vários. Ganhou diversos prêmios por causa deles. Em entrevista disponível na internet, revelou que parou de escrever para crianças assim que seus dois filhos cresceram. Em 87, pela Editora José Olympio, publicou seu primeiro romance para adultos: “Sete anos e um dia”. Foi refletindo sobre ele que comecei minha palestra. Seu enredo se passa entre 78 e 85, período denominado por muitos historiadores como o da distensão e da abertura política. Ambientado no Rio de Janeiro, conta a história de alguns jovens, entre eles dois professores universitários, Carlos Alberto (o Caloca) e Pedro, que vivem os dramas típicos da geração do começo da década de 80. Beth e Catarina também fazem parte da trama. São mulheres corajosas. A primeira se divorcia do marido, em atitude bastante ousada para a época (a lei do divórcio, de autoria de Nelson Carneiro, só foi aprovada em 78). Catarina assume discurso claramente feminista, ainda mais quando se revolta contra a dupla jornada enfrentada pela mulher no seu dia-a-dia (casa e trabalho, ao mesmo tempo). Tânia é a personagem que se exila na França depois de ser torturada pelo regime militar. Volta ao País mas não consegue esquecer os traumas vividos no cárcere. Rosário é a argentina que permite ao leitor conhecer um pouco da realidade vivida por seu povo no mesmo momento histórico. Hoje fora das livrarias, “Sete anos e um dia” pode ser encontrado nos sites especializados. É leitura que vale a pena, sobretudo porque mostra como foi a estreia de Elvira no romance.

Termino essa crônica mencionando o segundo livro da escritora. Ele chegou dez anos depois do primeiro, em 97, já pela Companhia das Letras. Trata-se de “O assassinato de Bebê Martê”. Nele, a narradora (que não tem nome), conta a história de Lúcia e de sua família, com foco no assassinato do pai da personagem, no dia de seu aniversário de 80 anos. Outro livro sedutor, que merece a compra. Elvira permanecerá.

* Jornalista. Da Academia Mineira de Letras

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