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Minas 2032

11/11/2015

Acesso ao conhecimento ainda é restrito no campo

Luciane Lisboa
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Como produtor rural, o diretor da Rehgagro Clóvis Correa acredita que o agronegócio tem papel importante na retomada do crescimento da economia brasileira nos próximos anos. "Temos um papel fundamental na produção de alimentos. A demanda realmente não vai ser problema, por isso é uma grande responsabilidade que temos assumido", afirmou.

Por outro lado, na avaliação de Correa, o agronegócio no Brasil e em Minas Gerais avançou muito nos últimos 20 anos. Há 13 anos, quando começou a produzir cereais no Sul de Minas, ele relatou que uma produção de 100 sacos de milho era considerada bastante razoável. Hoje, é fato que um agricultor profissional que não estiver pensando em produzir pelo menos 200 sacas de milho está fora do mercado.

"A produção dobrou em pouco mais de 10 anos. Isso se deve a muita tecnologia, com certeza. O nível tecnológico que está em nossas lavouras impressiona. Avançamos muito, mas o desafio não acaba porque a velocidade do mundo é cada vez maior. Nosso desafio é acelerar ainda mais para continuar na briga. Isso significa continuar produzindo conhecimento e fazer com que ele chegue ao produtor", ressaltou.

O diretor da Rehyagro criticou a dificuldade que o produtor rural tem para ter acesso ao conhecimento. "Precisamos trabalhar para melhorar a forma com que esse conhecimento produzido na sala de aula está chegando ao produtor. Nossas instituições ainda erram muito nesse quesito. O Brasil desenvolveu muita tecnologia, mas nem sempre a forma que ela chega ao produtor é a correta ou a melhor", ponderou.

"O Rehagro nasceu exatamente aí. Há 13 anos, quando criamos o Rehagro, foi exatamente em função dessa lacuna. Estávamos trabalhando e percebendo que o conhecimento não estava chegando ao produtor de uma maneira que ele soubesse entender. Só produtores de leite, carne e café nós treinamos mais de 4 mil em cursos de ym ano de duração, nos últimos 10 anos. O que tentamos fazer é linkar esse conhecimento de forma que ele chegue de maneira totalmente aplicável ao produtor."

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Gestão - Além da tecnologia, outra peça muito importante dessa engrenagem, segundo Correa, é o conhecimento de gestão. O produtor precisa conseguir tomar melhores decisões sobre o seu negócio. "Precisamos pensar sobre isso. Existem programas fantásticos em andamento, mas acho que também é um grande desafio", disse.

Na opinião dele, o produtor rural é um "guerreiro" que busca sempre formas de manter seu negócio de pé. "Tenho visto empresas rurais extremamente competitivas e produtivas esbarrando nas amarras de um país que não está dando conta de dar o devido suporte a ele. Tenho a impressão de que o produtor está ajudando o Brasil, porém é muito pouco assistido por ele", lamentou.

Como empresário do setor, disse estar ficando cansado de lutar contra a corrente. " desanimador observar os rumos que o Brasil está tomando em termos políticos e decisões de governo. Ver o quanto de dinheiro público tem sido jogado fora nesse País tão rico, enquanto a gente luta diariamente para tentar manter o nosso negócio de pé", ressaltou.

Outro gargalo enfrentado pelo setor é a distância existente entre a demanda do produtor e a pesquisa acadêmica. "Temos que trabalhar a aproximação da necessidade o produtor, que no final é quem interessa, com as instituições que produzem pesquisa, para que a gente possa fazer estudos efetivamente aplicáveis. Para que a gente possa desenvolver boas tecnologias e que elas possam chegar rápido ao produtor e de uma forma que ele entenda. O Rehagro tem tentado fazer, mas somos somente um grão de areia nesse oceano", disse.


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