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DC Auto

29/09/2017

Ajudando a preservar a memória alemã

Museu Mercedes-Benz, inaugurado em 2006, compartilha extenso acervo da marca com o público
Rogério Machado*, de Stuttgard (Alemanha)
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A arquitetura ousada do Museu da Mercedes-Benz, localizado em Stuttgart, no sudoeste da Alemanha/Rogério Machado
A Alemanha tem experimentado, no século 21, os bons tempos da sua indústria automobilística. É verdade que, junto com o sucesso, ela tem sido chacoalhada com escândalos relacionados à programação eletrônica imprópria dos veículos diesel, resultando em maior poluição, multas bilionárias e arranhões profundos.

Embora estes fatos monopolizem as manchetes dos jornais, o que vem pela frente é algo muito mais decisivo e grandioso para o futuro do automóvel. No ano passado, o bundesrat, órgão que representa os estados alemães na esfera federal, decidiu, através de voto, pôr um ponto final na produção de veículos movidos por diesel e gasolina a partir de 2030, ou seja, apenas 13 anos a partir de hoje.

O martelo ainda não foi batido, mas o Reino Unido e a França foram atrás e engrossaram a fila dos que querem ar puro, sinalizando o fim da produção de motores diesel e gasolina para 2040.

Em uma entrevista ao canal de rádio BBC, o secretário de meio ambiente britânico, Michael Gove, disse que: “Não existe alternativa... nós não podemos seguir com diesel e gasolina - se continuarmos, iremos acelerar as mudanças climáticas e comprometer o planeta para as próximas gerações”. Somente um cego não veria a desordem climática instalada no planeta.

Esta sequência de mudanças de direção terá grande impacto sobre a civilização e o momento é interessante para darmos uma olhada para trás, apreciando as etapas da evolução da máquina que mudou o mundo.

As “quatro grandes” alemãs (Volkswagen, Audi, BMW e Mercedes-Benz) mantêm museus com exibições absolutamente impecáveis. E, com o objetivo de conhecer alguns destes santuários, nos dirigimos a Stuttgart (Alemanha), começando nosso passeio pela Mercedes-Benz.

Berço do automóvel – A cidade de Stuttgart está localizada no sudoeste da Alemanha e foi nesta cidade que Karl Benz construiu, em 1885, o primeiro veículo movido a motor realmente prático.

A autoria da criação do automóvel é polêmica, o desenvolvimento aconteceu em diversas partes da Europa em um momento relativamente coincidente. O austríaco Siegrified Marcus, por exemplo, desenvolveu um veículo a motor em 1870, antes mesmo de Daimler.

Mas, em 1940, a Alemanha nazista apagou todos os seus registros reafirmando o pioneirismo de Daimler. A explicação é simples: Marcus era judeu. Tudo isso está bem claro hoje, mas a história não tem marcha a ré.

O fato é que Stuttgart, além de ter sido um dos berços do automóvel, é sede dos parques industriais da Mercedes-Benz e da Porsche e, com isso, a cidade respira automóveis.

A trajetória da Mercedes-Benz se confunde com a história do automóvel. E a marca decidiu compartilhar seu extenso acervo com o público, inaugurando, em 2006, um imenso museu em forma cilíndrica e com um enorme vão livre central que lembra a forma dos rotores do motor Wankel.

Elevadores de design futurístico levam os visitantes até o último andar para começarem a exploração dos 134 anos da história da marca.

Um arranjo ideal através do qual, descendo através de rampas suaves, tem-se acesso aos andares onde os veículos e objetos estão agrupados em Lendas e Coleções, cada um com um plano próprio no edifício.

A marca conserva milhares de veículos e componentes e o museu expõe 160 modelos de cada vez, mudando alguns carros periodicamente.
Saindo do elevador, a primeira visão, de um cavalo em tamanho natural, causa impacto. No pedestal sob ele uma curiosa frase famosa, do Kaiser Guilherme II, diz: “O automóvel não é nada mais que um fenômeno transitório”. Realmente, o Kaiser não acreditava no futuro dos automóveis.

A motocicleta nasceu quase que por acaso – O primeiro veículo a motor comandado pelo homem marca sua presença ali, o Reitwagen, de 1885, originalmente construído para servir como banco de provas para os primeiros motores.

Como resultado, além de conseguir seu objetivo de testar o motor de 0,5 hp levando o veículo aos 13 km/h, estabeleceu as formas das motocicletas modernas, com um layout que está ativo até hoje. Podemos dizer que esta é a primeira motocicleta com motor de combustão interna.

Existem cerca de seis réplicas da Reitwagen espalhadas pelo mundo, inclusive a do museu, que segue o projeto de Daimler. O modelo original foi destruído durante um incêndio, em 1903, na fábrica da Daimler na cidade alemã de Cannstatt.
Ela estava em um pequeno museu com itens da história da marca e virou cinzas juntamente com tudo que estava no antigo galpão.

* Colaborador

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