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Política

21/10/2017

Alckmin se prepara para sucessão

AE
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Geraldo Alckmin disputa com João Doria a indicação dos tucanos/Rovena Rosa/ABr
São Paulo - Faltando um ano para as eleições de 2018, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que se prepara para concorrer à Presidência da República, embora a decisão sobre a escolha dos candidatos dentro do partido ainda não tenha sido tomada. Nos bastidores do PSDB, Alckmin disputa a indicação com o afilhado político João Doria, prefeito de São Paulo.

“Essa decisão (de candidatura à Presidência) não é pessoal, é coletiva. Ela ocorrerá mais para frente”, disse Alckmin, na sexta-feira. “Agora, eu me preparo. Acho que é importante a gente estar preparado para servir ao Brasil”, completou, durante entrevista à imprensa após participar da cerimônia de abertura do segundo feirão de imóveis “Morar Bem, Viver Melhor”, na zona sul da capital paulista.

O governador avaliou que o País vive um momento considerado crítico, que pode trilhar em direção ao “populismo fiscal irresponsável” ou ao “crescimento sustentável, com geração de emprego e de renda”, conforme suas palavras. “O mundo que cresce tem política fiscal rigorosa, política monetária com juros baixo e câmbio competitivo”, emendou.

Questionado sobre os principais assuntos que têm gerado turbulências políticas em Brasília, Alckmin evitou emitir opiniões pessoais. No caso da permanência do senador Aécio Neves como presidente do PSDB, ele disse apenas que o momento é de esperar a posição do parlamentar. “O Aécio já se afastou (da liderança do partido). Vamos aguardar o Aécio, que ficou de tomar posição nos próximos dias”, disse Alckmin.

Perguntado também se o PSDB deve orientar os membros do partido a rejeitar, durante votação na Câmara, a segunda denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer, Alckmin frisou que essa decisão cabe aos próprios parlamentares. “Não interferi na discussão da primeira denúncia e não vou interferir na segunda. Os deputados federais têm responsabilidade, juízo próprio, conhecimento do processo e estão plenamente capacitados para poder votar”, disse.

Situação delicada - O PSDB vive uma situação delicada em relação à eleição de 2018 e só não está pior porque não surgiu alternativa melhor no espectro político-partidário, avaliou o vice-presidente nacional da sigla, Alberto Goldman. Para o ex-governador, a situação fica evidente na dificuldade dos tucanos de apresentar uma candidatura de destaque ao Planalto.

“A dificuldade é real, mas quem está melhor do que o PSDB?”, questionou Goldmana. Ele citou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como o nome mais expressivo no momento dentro do partido, mas ponderou que ele “não é nenhuma figura de grande expressão, uma grande liderança nacional”. “Não é um Lula, que foi um grande líder, a verdade é essa”, disse Goldman.

O ex-governador lembrou ainda que existem ainda outros nomes, como o senador José Serra, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, mas voltou ao ponto. “Dizer que tem alguém (no PSDB) que salta como o candidato que poderá empolgar o povo brasileiro? Nada me parece, não é visível isso”, avaliou.

Em relação ao prefeito João Doria, com quem trocou acusações e críticas há duas semanas pelas redes sociais, o ex-governador considerou que o “perigo” de sua candidatura “está um pouco diminuído”. Doria, em sua avaliação, teria conseguido canalizar a rejeição ao PT na cidade para se eleger em primeiro turno em 2016, mas “queimou o filme” ao acreditar que aquele momento persistia até hoje.

O tucano também disse entender que a imagem do PSDB é prejudicada por situações como a do senador Aécio Neves, que retomou o cargo essa semana após o Senado derrubar as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“O presidente do partido acabou se constituindo figura extremamente danosa para a (nossa) imagem”, afirmou Goldman, lembrando do áudio em que o Aécio e Joesley Batista acertam pagamento de R$ 2 milhões.

Goldman participou na última quinta-feira de um encontro intitulado “PSDB, presente e futuro” na Casa do Saber, em São Paulo. Em sua avaliação, o partido apresenta problemas, entre eles a forte indefinição de sua bancada em relação a temas polêmicos, mas ainda mantém uma espinha dorsal de elementos programáticos.

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