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DMEP - Cegueira das Organizações

14/11/2017

Ambiente Público Inovador (parte 1): os fatores que influenciam a inovação

Rodrigo de Araújo Ferreira*
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Embora o tema inovação seja cada vez mais abordado pela literatura da área de administração pública, ele é, ainda, alvo de contradições, sendo necessário buscar o alinhamento entre o que a teoria preconiza, o que as organizações comunicam e o que os atores públicos compreendem e praticam. Dessa forma, verifica-se a emergência de ampliar a compreensão e difusão em relação a esse tema na administração pública.

Neste sentido, apresentaremos o estudo de caso relativo a uma instituição pública mineira, em que tivemos a oportunidade de aplicar o método da DMEP para diagnosticar o seu ambiente de inovação. Esta abordagem se deu, sob a perspectiva dos gestores públicos envolvidos em projetos estratégicos e arranjos institucionais voltados para a inovação nesta instituição, objetivando identificar os pontos críticos a serem priorizados pela política de inovação desta instituição, de forma a aperfeiçoá-la.

Nesse contexto, emergiram algumas questões que orientaram o estudo: os arranjos institucionais voltados para o tema inovação na administração pública estão conseguindo desenvolver ambientes propícios à inovação? Em que medida os fatores influenciadores da inovação encontram-se presentes no setor público do Estado? Haveria alinhamento de percepção entre os agentes responsáveis pela criação desse ambiente nos órgãos do Governo do Estado?

O diagnóstico foi realizado a partir da mensuração do grau de presença e importância dos 10 (dez) fatores que influenciam um ambiente inovador, a partir de Polignano (2009), que são: 1) Estratégia da Inovação, 2) Cultura de Inovação, 3) Estrutura Organizacional e Pessoas, 4) Recursos para Inovação (físico e financeiro), 5) Métricas da Inovação, 6) Gestão do Processo de Inovação, 7) Gestão de Projetos de Inovação, 8) Gestão de Equipe, 9) Gestão do Portfólio de Inovação, e 10) Vozes Indutoras da Inovação (tecnologia/sociedade/organização).

Estes fatores foram base do instrumento aplicado junto aos gestores públicos envolvidos no processo de inovação em órgãos vinculados à instituição estudada, bem como uma série de análises e testes estatísticos, como a análise de quadrantes, cruzando o grau de importância e de presença de cada fator influenciador da inovação segundo a percepção dos entrevistados.

Verificou-se que todos os fatores apresentam alta importância, porém, grau de presença pouco acima de 60%, indicando que todos eles são considerados inicialmente como prioritários a serem desenvolvidos pela instituição. A fim de se ter uma análise mais minuciosa e buscar identificar quais fatores eramos mais críticos ou os que deveriam ter seu desenvolvimento priorizado, considerou-se como os fatores-chaves aqueles que ficaram no quadrante IV (Métricas da Inovação, Gestão do Processo de Inovação, Gestão do Portfólio de Inovação e Cultura de Inovação) conforme figura acima.

Os resultados demonstraram que, embora seja visível a busca cada vez maior pela introdução do tema inovação na instituição avaliada, sendo esta traduzida em iniciativas como a institucionalização da inovação por meio da redefinição de missões de arranjos já existentes, da criação de novos arranjos e de assessorias voltadas ao tema, e da criação da política e da metodologia de inovação, no atual momento, não se pode afirmar que a instituição avaliada tenha proporcionado um ambiente favorável para a inovação.

Esses resultados sugerem alguns direcionamentos que poderão ser desdobrados em futuros estudos e em medidas de políticas públicas de promoção e apoio à inovação no setor público, nas três esferas de governo, como: consolidação de estudos focados na mensuração do ambiente de inovação, o que poderá se traduzir em instrumentos de diagnósticos capazes de verificar o grau de maturidade do ambiente de inovação nas organizações públicas, dando subsídios para ações pontuais e amplas visando o robustecimento do ambiente de inovação nas organizações e, em última instância, resultando em organizações capazes de inovar cada vez mais e melhor e, consequentemente, traduzindo-se em serviços públicos e políticas públicas cujos resultados sejam mais efetivos.

Nos próximos ensaios iremos abordar outras dimensões avaliadas a partir do presente estudo de caso: a) grau de alinhamento de percepções entre os níveis estratégico e tático da instituição, b) desdobramento de cada favor influenciador da inovação, c) iniciativas visando elevar o grau de maturidade para cada fator indutor da inovação nas organizações públicas.

* Sócio-gerente da DMEP

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