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Finanças

11/10/2017

Analistas estimam déficit primário de R$ 158,4 bilhões

Leilões realizados pelo governo devem reduzir o rombo neste ano
AE
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Mansueto Almeida destaca que o Brasil ainda tem uma relação dívida bruta e PIB muito alta em relação aos países emergentes/Marcelo Camargo/ABr
Brasília - Após os bons resultados dos leilões de hidrelétricas e de petróleo no mês passado, os analistas de mercado ouvidos pelo Ministério da Fazenda passaram a prever que o governo entregará um déficit primário neste ano um pouco menor que a meta fiscal negativa de R$ 159 bilhões. De acordo com o boletim Prisma Fiscal, divulgado ontem pela Secretaria de Política Econômica (SPE) da pasta, a mediana das previsões passou de um rombo de R$ 159 bilhões para um déficit de R$ 158,430 bilhões.

Já para 2018, os analistas projetaram um déficit de R$ 155,613 bilhões, ampliando a folga para a meta que também é de R$ 159 bilhões no negativo. No boletim de setembro, as previsões indicavam o saldo negativo de R$ 156,341 bilhões para o próximo ano.

Ainda assim, o Prisma deste mês voltou a revisar para baixo as previsões do mercado para a arrecadação das receitas federais em 2017, com a estimativa passando de R$ 1,337 trilhão para R$ 1,335 trilhão. Para 2018, no entanto, diante das melhores perspectivas de crescimento da economia, a projeção para a arrecadação subiu de R$ 1,440 trilhão para R$ 1,448 trilhão.

A estimativa para a receita líquida do governo central neste ano passou de R$ 1,134 trilhão para R$ 1,140 trilhão, enquanto para o próximo ano passou de R$ 1,210 trilhão para R$ 1,215 trilhão.

Já pelo lado do gasto, a projeção de despesas totais do governo central este ano subiu de R$ 1,292 trilhão para R$ 1,296 trilhão Para 2018, a estimativa aumentou de R$ 1,363 trilhão para R$ 1,366 trilhão.

A mediana das projeções dos analistas do Prisma para a dívida bruta do governo geral ao fim de 2017 passou de 75,80% do PIB para 75,44% do PIB. Para 2018, a estimativa que estava em 78,82% do PIB em setembro caiu para 77,80% do PIB no relatório desta terça-feira.

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Curto prazo - O Prisma também atualizou as projeções fiscais este e os próximos dois meses. Para outubro, a estimativa de déficit primário passou de R$ 1,225 bilhão para R$ 2,827 bilhões. Para novembro, a previsão de saldo negativo recuou de R$ 20,004 bilhões para R$ 19,815 bilhões. Para dezembro, a projeção de rombo passou de R$ 24,620 bilhões para R$ 28,072 bilhões.

Dívida x PIB - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, afirmou em palestra ontem, que o Brasil, considerando seu nível de desenvolvimento, já tem a segunda maior relação entre a dívida bruta e o Produto Interno Bruto (PIB) dos países emergentes e que a trajetória deste indicador é insustentável.

“O Brasil ainda tem desequilíbrio fiscal muito grande”, disse o secretário em sua apresentação, feita durante a conferência anual da agência de classificação Moody’s em São Paulo. Desde início dos 90, o País nunca teve sequência tão longa de déficits primários, ressaltou ele.

Mansueto afirmou que o ajuste fiscal continua a ser feito pelo governo de Michel Temer, mas são mudanças graduais e a dívida pública ainda crescerá. O ajuste é gradual, explicou, porque grande parte da despesa do governo é obrigatória, vinculada a leis.

Este nível elevado de endividamento público não seria um problema se o Brasil fosse uma economia desenvolvida, ressaltou o secretário. Países como Japão e Alemanha, disse ele, conseguem se financiar por período muito longo a juro muito baixo.

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