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11/12/2017
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Política

21/11/2017

Ao assumir, novo diretor-geral põe em dúvida corrupção atribuída a Temer

FP/Reuters
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Brasília - O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, apontou dúvida sobre a conclusão de que houve corrupção por parte de Michel Temer no caso da JBS. Em entrevista coletiva ontem, ao tomar posse, Segovia criticou o pouco tempo dedicado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) à investigação do caso.

Para Segovia, há hoje um “ponto de interrogação no imaginário” da população sobre o papel do presidente no crime de corrupção atribuído pela PGR.

Temer foi denunciado por Rodrigo Janot, então procurador-geral, por corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa em decorrência da delação de Joesley Batista.

“A gente acredita que, se fosse sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo, porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção”, afirmou.

“É um ponto de interrogação que fica hoje no imaginário popular brasileiro e que poderia ser respondido se a investigação tivesse mais tempo”, completou. A mala a que Segovia se refere foi um dos pilares da denúncia oferecida pela PGR contra o presidente por corrupção passiva. A acusação foi barrada pela Câmara em agosto.

Rodrigo Rocha Loures foi flagrado saindo de uma pizzaria em São Paulo com R$ 500 mil entregue por um executivo da JBS. Para Janot, o dinheiro era fruto de corrupção e tinha autorização de Temer para ser recebido. A PF, em seu próprio relatório à época, também chegou à mesma conclusão.

Segovia foi empossado ontem, no lugar de Leandro Daiello, que estava há quase sete anos no posto. Temer participou da cerimônia, fato inédito na história das transmissões de cargo da polícia, segundo Segovia.

O diretor disse ainda que alguns fatos da delação premiada da JBS precisam ser melhor explicados. “Quando acontece na quarta-feira o anúncio de toda a exposição na PGR o que se descobriu em seguida foi que a JBS havia ganhado muito dinheiro no mercado de capitais de maneira ilegal. Foram fatos que aconteceram e que talvez tenham que ser melhor explicados. E talvez seria bom, para que o Brasil inteiro soubesse, que houvesse uma transparência maior sobre como foi conduzida aquela investigação”, declarou.

O novo diretor-geral da Polícia Federal disse ainda que buscará o “combate incansável à corrupção” à frente do cargo, afirmou que a Lava Jato continuará sendo a agenda prioritária da corporação e criticou a disputa institucional de poder entre a PF e o Ministério Público Federal que, na sua visão, apenas beneficia o crime organizado.

Delação - Fernando Segovia fez uma enfática defesa do instituto da delação premiada, tentou amenizar disputas da corporação com o Ministério Publico Federal e se disse lisonjeado com a presença do presidente Michel Temer em sua cerimônia de posse.
Segovia falou que a direção-geral não vai mudar o foco nas delações premiadas feitas pela PF e que vai conversar com todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para reforçar que “como uma ferramenta de investigação” e delação “tem que fazer parte de um das atribuições da PF”. “Acredito que instituto da delação premiada é importantíssimo. É fortíssima ferramenta para a investigação criminal”, destacou.

Sobre as possíveis ilegalidades em delações firmadas pelo MPF, sem a participação da PF, como a do caso JBS, Segovia disse que caberá ao STF decidir sua validade. “Não cabe à PF tecer críticas”.

Segovia afirmou que teve conversa preliminar com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e que pretendem estabelecer uma metodologia de trabalho entre PF e MPF. Segundo ele, não se falou sobre a atribuição da PF nas delações. “Não se pode tocar no ponto mais nevrálgico do problema (na primeira conversa)”, afirmou.

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