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Negócios

21/03/2017

App ensina como estabelecer um "foco"

Alvo são profissionais que precisam encontrar uma direção e que não sabem o rumo que pretendem dar às suas carreiras
Mírian Pinheiro
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Rodrigues acaba de ganhar o Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável/Divulgação
O administrador Isaías Rodrigues, 63 anos, paranaense de nascença e mineiro por opção, é um case de sucesso. Descobrir cedo que foco era sinônimo de realização foi o start de que precisava para a carreira deslanchar. Hoje, viajado, com especializações fora do País, compartilha com outros potenciais empreendedores o que batizou de método Criafoco, aplicativo que ensina como encontrar um foco e estabelecer o caminho para chegar aonde se deseja. E é com esse método que acaba de ganhar o Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável.

“Foco não é acertar na mosca. É não errar a direção. Temos sido bombardeados com uma quantidade infinita de informações, diversas mídias, tecnologias e uma enorme carga de conhecimentos e impulsos. Diante de tantas possibilidades, o processo de escolha se torna cada vez mais difícil. Perdemos referenciais e, por isso, é fundamental ter a direção clara de onde queremos chegar”, afirma Rodrigues. As palestras e workshops que ministra pelo Brasil vão, em breve, virar livro, e também um aplicativo, que poderá ser baixado gratuitamente e permitirá que o usuário desenvolva seu projeto de forma simples e automatizada.

Dono de uma incorporadora, a Bless Business, com 20 anos de atuação mercado, o empresário é um empreendedor nato. Ainda criança já dava seus pulos. Aos 7 anos, louco por bala, criou seu primeiro empreendimento: catar mamona na beira do rio para o pai vender no mercado e poder comprar as balas que amava. Depois virou engraxate e, mais tarde, carregador de cestas. Aos 12 anos já tomava conta da vendinha da família. “Tudo que me propus a fazer, busquei excelência. Agradava a clientela, fazia promoções, criava diferenciais. Meu primeiro emprego de carteira assinada foi em um banco, como datilógrafo. Era o melhor. Pedi emprego batendo na porta e fui parar na sala do banqueiro”, relembra orgulhoso.

Os tempos de menino em Bocaiúva, no Norte de Minas, ficaram para trás. Da infância, ele só guarda a mesma inquietação e o dinamismo para tornar real o que sonha. Com entusiasmo ele fala sobre os negócios em andamento em Belo Horizonte, o que inclui uma plataforma digital especializada em aluguel de espaços comerciais e um centro corporativo compartilhado.

Imprevistos - Tendo como norte a própria caminhada, foi para facilitar a vida de empreendedores como ele que Rodrigues desenvolveu o Criafoco. A partir de três pilares básicos: ambiente (mapeamento da situação), visão de futuro e atitude (habilidades, capacitação), é possível, na opinião do empresário, criar condições favoráveis para que um negócio se desenvolva. “Sem pensamento criativo, sem planejamento, sem análise, não se pode esperar bons resultados”, diz. A análise vai ao encontro dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelam que de cada 10 empresas, seis não sobrevivem antes mesmo de completar os cinco primeiros anos de atividade. Apenas em 2015, cerca de 1,8 milhão de empresas fecharam as portas no Brasil. Para ele, isso é também consequência da inobservância de certos pontos. “Estabelecer uma conduta estratégica é uma questão de aprendizado e fundamental para diminuir o grau de mortalidade das empresas. Crise por si só não justifica, porque ela pode significar oportunidades e excelência”, revela Rodrigues.

Para ele, além de dificuldades decorrentes da conjuntura econômica do País, um conjunto de fatores, que dependem exclusivamente do empreendedor, pode colocar em jogo a sobrevivência da empresa logo em seu início, como apostas erradas, planos de negócios ruins, erros na administração, falhas no planejamento, deficiências na gestão e o próprio comportamento do empreendedor. Tudo começa com a criatividade - que não é dom, em sua opinião, pois explica ser ativada por um processo mental, o mesmo que gera a inquietação. A partir daí, seguem novas etapas. A preparação, traduzida pelo tempo da coleta das informações de tudo aquilo que se quer fazer. Nesse sentido, ideia já é produto, portanto, vem depois da preparação e do momento de análise, quando se dará forma à ideia, submetendo-a a uma criteriosa avaliação, em que todas as divergências e convergências serão avaliadas. “Visão de futuro é algo que se constrói”, afirma.

Um dos públicos-alvo do Criafoco são aqueles profissionais que precisam encontrar uma direção e que não sabem nem mesmo o rumo que pretendem dar às suas carreiras. O empresário iniciante pode contar com o método como uma ferramenta para auxiliá-lo a levantar as informações fundamentais sobre o negócio que deseja abrir, fazendo com que tenha uma melhor visão para entrar no mercado e exercer sua atividade com mais segurança.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom) feito com trabalhadores de todo o Brasil revelou que sete em cada 10 profissionais estão insatisfeitos com o trabalho. No levantamento, 61% das pessoas entrevistadas responderam que não fazem o que gostam, mas permanecem no trabalho apenas porque precisam do dinheiro e têm que manter a família. Em outros casos, estão simplesmente acomodadas ou nem ao menos sabem o querem fazer e aonde querem chegar. “O Criafoco irá ajudar essas pessoas a organizar suas ideias e inquietações, construindo o caminho para estabelecer um foco e, o mais importante, para conseguir alcançá-lo com sucesso.”

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