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31/03/2017

Asa de Gaivota saiu das pistas para a rua

Modelo icônico da Mercedes-Benz, a 300SL Gullwing teve origem no projeto W194, dos anos 1950
Rogério Machado*
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A 300 SL Chassis 194 007, vencedora de Le Mans (França) em 1952/Rogério Machado
Foi durante o século XX que o automóvel se integrou à sociedade e, em termos de diversidade de design, aquele período produziu os carros mais interessantes da história.
A virada do milênio foi seguida pela expansão do uso da eletrônica para auxiliar e, eventualmente, atuar na segurança e interconectividade. Os carros passaram a percorrer o caminho da automação e o século XXI já deixa claro que os automóveis se tornarão robôs antes mesmo do que as previsões indicavam.

Os avanços, ainda em curso, buscam salvar o planeta do aquecimento global e dos prejuízos causados à saúde humana pelas emissões veiculares. Além disso, têm como objetivo reduzir o assustador número de vítimas em acidentes fatais, cerca de 1,25 milhão por ano em todo o mundo, inclusive com prejuízos à saúde pública através da demanda de paramédicos, hospitais, bombeiros, ações legais e danos ao patrimônio.

Voltando ao aspecto do design, centenas de produtos marcantes foram criados no século passado, longe das leis severas que tiveram como resultado uma certa homogeneização das formas.

Um dos exemplares mais icônicos daquele período é, sem dúvida, a Mercedes-Benz 300SL “Gullwing” ou Asa de Gaivota. O número 300 se refere à cilindrada do motor, 3 litros, e a sigla SL vem do alemão Sport Leicht, que significa “esportivo leve”.

Durante encontros de antigomobilistas no cenário internacional, estes carros são presença constante e mesmo alguns colecionadores brasileiros conservam exemplares que, eventualmente, aparecem por aqui e por ali, chamando a atenção.

A Mercedes 300SL atingiu a fama e marcou sua vaga entre os imortais no design do século XX, mas, até que isto acontecesse, as curvas da história tiveram papel determinante, comprovando que, por mais que as empresas se dediquem a planejamentos detalhados, nem tudo é intencional no cenário automotivo.

A fábrica alemã Daimler data de 1890 e tinha como sócios os engenheiros Gotlieb Daimler e Wilhelm Maybach, precursores dos motores de quatro tempos. Dois anos depois de aberta, a empresa já havia se firmado como fabricante de motores e entrava no mercado de automóveis patrocinada pela venda de diversas licenças de produção em muitos países. Inclusive na Inglaterra, onde os direitos de uso do nome Daimler também foram adquiridos.

Em 1900, em Nice (Sul da França), o diplomata e negociante de carros Emil Jellinek fez uma proposta interessante à fábrica. Comprometeu-se a comprar um lote de 36 automóveis desde que o diretor técnico Wilhelm Maybach projetasse para ele um veículo sob suas especificações, mais longo e mais baixo.

Esses automóveis seriam vendidos com a marca Mercedes, nome da sua filha. Nasceu assim, em 1901, o Mercedes 35Hp, que obteve ótimos resultados de venda e também nas corridas. O modelo alavancou os negócios da Daimler, que também passou a comercializar os seus automóveis com o nome Mercedes, enquanto a marca Daimler alemã ficou cada vez mais associada aos veículos de carga e aos motores.

Jellinek faleceu em 1918, deixando sua contribuição para a transformação das carruagens motorizadas em automóveis bem próximos ao padrão atual.

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Daimler e Benz – Em 1926, as alemãs Daimler e a sua maior concorrente, a Benz, se fundiram e, a partir daí, aproveitando o sucesso dos carros de Jellinek, adotaram a marca Mercedes-Benz para seus veículos.

Após a fusão, o desempenho da Mercedes-Benz foi rapidamente ampliado com modelos luxuosos, entre eles o esportivo SSK, de 1928, desenhado por Ferdinand Porsche quando ele trabalhava na empresa. Outro exemplar notável foi o belíssimo 500K, de 1934, desenhado pelo Friedrich Geiger e que se tornou símbolo de status da elite europeia.

O sucesso nas pistas continuou crescendo com o nome Mercedes-Benz e, curiosamente, a partir de 1934, a marca alemã passou a utilizar a cor prata em lugar do branco que era a cor oficial dos carros de corrida da Alemanha.

A razão dessa mudança divide os historiadores até hoje. Uma versão diz que, durante uma prova em Nurburgring, o carro da Mercedes estava com um quilo acima do peso permitido para a categoria e, sendo assim, a equipe teria raspado a tinta branca, ganhando a redução necessária.

Esta prova com o carro sem pintura mostrava a carroceria de alumínio, o que teria dado origem ao apelido de “Flechas de Prata”. A partir daí, as carrocerias da Mercedes passaram a usar a cobertura prateada e a Audi também adotou a nova cor, que passou a ser a oficial da Alemanha e continua predominante até hoje.

A ascensão do partido nazista levou Hitler ao poder em 1933 e isto intensificou os investimentos e incentivos às corridas como forma de propaganda. O objetivo era exaltar a superioridade do povo e da tecnologia alemã, através da quebra de recordes de velocidade e de vitórias em campeonatos internacionais.

O fato é que as “Flechas de Prata” atraíam multidões para assistir as provas internacionais entre 1934 e 1939.

Com este mesmo propósito, a década assistiu a grandes melhoramentos que marcaram a história daquele país, entre eles, os avanços na tecnologia mecânica e aerodinâmica, na aviação, na ampliação das rodovias (autobahns) e na criação do carro popular (Volkswagen), até que o expansionismo alemão passou dos limites e a Segunda Guerra colocou um fim a tudo aquilo.

*Colaborador

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