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Internacional

12/08/2017

Ativos da PDVSA vão para a Rússia em troca de dinheiro

Estatal de petróleo do país de Maduro passa cota acionária a russos
Reuters
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Petroleos de Venezuela cede participação em projetos/Reuters/Marco Bello
Caracas/Houston, EUA - O debilitado governo socialista da Venezuela está recorrendo cada vez mais à aliada Rússia para obter o dinheiro e o crédito de que necessita para sobreviver e oferecendo ativos de petróleo estatais em troca, apontam fontes a par das negociações à Reuters.

Como Caracas está lutando para conter um colapso econômico e protestos de rua violentos, Moscou está usando sua posição de credor de último caso da Venezuela para obter um controle maior das reservas de petróleo do país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), as maiores do mundo.

A estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA) vem negociando secretamente, desde pelo menos o início deste ano, com a maior estatal petroleira russa, a Rosneft, oferecendo participação acionária em até nove dos projetos de petróleo mais produtivos do país, de acordo com um funcionário de alto escalão do governo da Venezuela e duas fontes da indústria a par das conversas.

Moscou tem influência considerável nas negociações, já que o dinheiro da Rússia e da Rosneft tem sido crucial para ajudar o governo financeiramente carente do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a evitar o calote da dívida soberana ou um golpe político.

A Rosneft concedeu mais de US$ 1 bilhão à PDVSA só em abril em troca da promessa do envio de carregamentos de petróleo mais tarde. Em pelo menos duas ocasiões, o governo venezuelano usou dinheiro russo para evitar calotes iminentes em pagamentos a portadores de títulos, contou um funcionário de alto escalão da estatal à Reuters.

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Intermediária de venda - A Rosneft também se posicionou como intermediária de vendas de petróleo venezuelano a clientes de todo o mundo. Grande parte do produto termina em refinarias dos Estados Unidos – apesar das sanções dos EUA contra a Rússia –, porque ele é vendido através de intermediários, como empresas de comercialização de petróleo, de acordo com relatórios internos da PDVSA vistos pela Reuters e com fonte da empresa.

Nem a PDVSA nem o governo da Venezuela responderam a pedidos de comentários. O governo russo não quis comentar e encaminhou as perguntas ao Ministério das Relações Exteriores e aos Ministérios das Finanças e da Defesa, que não responderam as perguntas da Reuters. A Rosneft tampouco quis comentar.

O controle russo crescente sobre o petróleo da Venezuela aumenta sua participação nos mercados energéticos das Américas. Atualmente, a Rosneft revende cerca de 225 mil barris por dia da commodity venezuelana – cerca de 13% do total de exportações da nação, segundo relatórios comerciais da PDVSA, e o suficiente para satisfazer a demanda diária de um país do tamanho do Peru.

A Venezuela dá a maior parte desse petróleo à Rosneft como pagamento dos bilhões de dólares de empréstimos em dinheiro que o governo de Maduro já gastou. Sua gestão precisa do dinheiro russo para financiar tudo, do pagamento de títulos a importações de alimentos e remédios, produtos muito escassos no país.

Parlamentares da oposição venezuelana avaliam que Moscou está se comportando mais como um predador do que como um aliado. “A Rosneft com certeza está se aproveitando da situação”, considerou Elias Matta, vice-presidente da Comissão de Energia da Assembleia Nacional. “Eles sabem que este é um governo fraco; que está desesperado por dinheiro – e são tubarões”.

Matta ecoou muitas vozes no Congresso de maioria opositora que vêm criticando duramente acordos empresariais que dizem estar fortalecendo os esforços de Maduro para estabelecer uma ditadura.

Caracas afirmou que o investimento russo em sua indústria petrolífera mostra confiança na estabilidade financeira da PDVSA e nas oportunidades comerciais da nação.

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