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DC RH

05/12/2017

Autoconhecimento é palavra de ordem

Ana Carolina Dias
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Conhecer e atender ao perfil profissional demandado pelas empresas, customizar o currículo e ter flexibilidade para se adaptar às mudanças são algumas das principais características que podem ajudar a aumentar as possibilidades de recolocação profissional. Agregar competências e habilidades se tornou uma demanda para profissionais que querem investir no desenvolvimento de suas carreiras e destacar-se em processos de recrutamento.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desemprego no Brasil encerrou o terceiro trimestre em 12,4%, resultado menor do que o registrado no segundo trimestre, porém, 0,6% acima dos 11,8% apurados entre julho e setembro de 2016. Segundo a pesquisa de emprego, a taxa é a maior para trimestres encerrados em setembro desde o início da série histórica, em 2012, e o número de pessoas desocupadas, que são aquelas sem emprego mas em busca de oportunidades, aumentou 7,8% no trimestre se comparado com o mesmo período do ano anterior e recuou 3,9% frente ao segundo trimestre de 2017.

A instabilidade causada pelo contexto de crise no País é um fator que atrapalha a recolocação profissional na visão da consultora organizacional, coach e diretora de gestão da ABRH-MG, Marise Drumond. Para que os candidatos a vagas de emprego tenham mais chances de serem selecionados para entrevistas e deem o primeiro passo rumo à recolocação no mercado de trabalho, Marise Drumond ressalta que é importante correr atrás das oportunidades e expandir o conhecimento em relação às empresas e instituições.

“Estar atento aos cenários, procurar saber como as empresas estão se comportando e buscar qualificação que possa ajudar a se encaixar nas mudanças que elas possam propor são iniciativas importantes”, diz.

Para Marise Drumond, desde o início de um processo de recrutamento, a consciência do autoconhecimento é fundamental para que o candidato avalie se a realidade dele se encaixa no contexto organizacional. “A partir do momento em que o profissional fala das suas habilidades com transparência e autenticidade, ele gera credibilidade. Quanto mais a pessoa tentar mostrar que traz para si a responsabilidade das oportunidades de melhoria, ela tem muitos ganhos no processo seletivo”, comenta.

Entender a empresa e vincular experiências profissionais anteriores ao que a instituição pede e propõe também é um ponto relevante na análise da diretora da Leaders HR Consultants, Astrid Vieira, que considera que, atualmente, as empresas têm muitas opções e, por isso, buscam profissionais criativos, assertivos e multifuncionais. “No geral, pessoas com liderança, flexibilidade e resiliência têm mais chances. Além disso, a multifuncionalidade hoje é muito importante, o profissional precisa ser capaz de realizar mais de uma atividade dentro da área de atuação dele”, afirma Astrid Vieira que destaca ainda a necessidade de ajustar o currículo à vaga pretendida para se tornarem mais relevantes no processo seletivo. “A ideia de elaborar um único modelo de currículo para distribuir em diversos lugares não é mais a melhor estratégia. O currículo deve ser customizado para as necessidades de cada vaga, ordenando as informações de acordo com o perfil do emprego desejado”, analisa.

“Tacada de mestre” - Mapear o perfil da vaga e do profissional desejado para ocupá-la são essenciais para evidenciar as competências de forma mais assertiva de acordo com a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos - Seção Minas Gerais (ABRH-MG), Eliane Ramos Vasconcellos Paes. Ela avalia que, entre os profissionais que concorrem a um cargo, as empresas buscam, principalmente, características que sejam diferenciais em relação aos outros. “Primeiro é preciso ter autoconhecimento profundo e saber como se posicionar. As empresas querem saber o que os profissionais trazem de experiência e o que conseguem agregar ao cargo em questão. A competência técnica é algo que a pessoa pode desenvolver com o tempo, mas a competência comportamental e o perfil da pessoa fazem muita diferença para as empresas”, afirma Eliane Paes.

Fundamentada no que conceitua como “tripé a da empregabilidade”, que inclui o conhecimento de si próprio, competência técnica e desenvolvimento de uma rede de contatos, Eliane Paes sugere que as pessoas interessadas em se reinserir no mercado de trabalho tratem a carreira como um processo a ser desenvolvido e construído no longo prazo. “Investir na empregabilidade e na carreira é investir em si mesmo. Esse processo passa por cuidar da imagem nas redes sociais, divulgando boas conquistas, discutindo novas oportunidades e conhecimentos dentro da área de atuação, fazer curso demonstrando interesse no próprio desenvolvimento e investir tempo em tecer uma boa rede de relacionamentos na busca por pessoas que possam agregar e abrir portas”, aponta.

Alta gestão - Atuando nacionalmente no apoio a empresas de diversos portes e segmentos para o preenchimento de cargos de média e alta gestão, a Dasein Executive Search tem como foco principal a seleção de profissionais para cargos de gerência e diretoria. Neste contexto, a presidente da empresa, Adriana Prates, evidencia que as empresas têm valorizado a mobilidade dos candidatos para diferentes unidades em diversas localidades. “As empresas prezam pela flexibilidade do profissional para mudanças, trabalhar em qualquer lugar do Brasil e do mundo, em regiões remotas, não só nas capitais como também no interior, em regiões que estão criando polos”, explica.

De acordo com Adriana Prates, a indústria de modo geral, as empresas da área digital, as startups e o setor de agronegócio são as áreas que mais abrem vagas atualmente. Para os cargos de média e alta gestão, ela afirma que a fluência em inglês é uma competência que, muitas vezes, é prioridade até sobre um MBA. “Para quem acabou de sair de uma empresa, é melhor se dedicar a um intercâmbio ou um curso intensivo para aprimorar o idioma do que investir em um MBA. Às vezes os jovens investem em um conhecimento intermediário de inglês e isso não é o bastante”, avalia.

Além de competências como valores éticos, morais, integridade, respeito ao próximo e saber conviver com as diferenças, a resiliência e a criatividade também são diferenciais segundo Adriana Prates. “Existem diversas situações nas quais a pessoa atuou muito tempo em uma determinada área que não existe mais e não vêem a mudança de área como oportunidade. Essa abertura para fazer atividades diferentes e atuar em áreas diversas são pontos fundamentais para os profissionais que temos buscado”, diz a presidente da Dasein, que ressalta ainda outra tendência forte solicitada pelas empresas. “Cada vez mais tem sido demandada a inserção de mulheres nos processos seletivos para dar oportunidades a essas profissionais de chegarem ao topo. Então, temos um crivo de perfil que coloca preferência por profissionais do sexo feminino”, conclui.

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