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Finanças

19/04/2017

BC considerou corte maior na Selic

Autoridade monetária divulgou nessa terça-feira (18) a ata da última reunião do Copom
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Ilan Goldfajn estima que a inflação no País deverá chegar ao seu nível mais baixo no terceiro trimestre deste ano/Marcelo Camargo/ABr
Brasília - O Banco Central chegou a discutir que a conjuntura econômica já permitiria corte maior na Selic do que o adotado na semana passada, mas acabou optando por redução mais modesta em função do cenário de incertezas e riscos, segundo ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nessa terça-feira (18).

“Os membros do Copom também argumentaram que, dado o caráter prospectivo da condução da política monetária, a continuidade das incertezas e dos fatores de risco que ainda pairam sobre a economia tornaria mais adequada a manutenção do ritmo imprimido nessa reunião”, acrescentou.

Na quarta-feira passada, o BC cortou a Selic em 1 ponto percentual, acelerando o passo de redução dos juros em linha com o esperado pelo mercado em meio ao cenário de desinflação e fraqueza da economia. Até então, havia feito dois cortes de 0,25 ponto cada e outros dois de 0,75 ponto.

A quinta tesourada veio acompanhada da avaliação de que o comitê considera adequado o atual ritmo de corte de 1 ponto, mas que “a atual conjuntura econômica recomenda monitorar a evolução dos determinantes do grau de antecipação do ciclo”.

O BC repetiu a mensagem pela ata, também reforçando que o ritmo de flexibilização dependerá da extensão do ciclo pretendido e do grau de sua antecipação, que por sua vez dependerá da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação para 2018 e 2019. Entre os fatores de risco, o BC incluiu o avanço das reformas, principalmente de cunho fiscal.

“Há um temor em dar sinais de que vai antecipar muito o ciclo e o mercado precificar a Selic abaixo de 8,5 %, e com isso piorar as expectativas de inflação”, disse o economista-chefe Votorantim Corretora, Roberto Padovani. “O BC não acelerou o ritmo porque aparentemente não está tão confortável com a trajetória de inflação no médio prazo”.

O BC informou ainda haver pequena melhora na perspectiva de retomada em relação à leitura feita pelo Copom na reunião de fevereiro. Mas ressaltou que os desafios nesse processo permanecem e que a recuperação econômica ao longo do ano deverá ser gradual.

Analistas veem expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,4 % em 2017 conforme pesquisa Focus mais recente, avanço mais tímido que a estimativa oficial de 0,5 % do governo. Já para 2018, as projeções tanto da equipe econômica quanto do mercado são de crescimento de 2,5 % do PIB.

Segundo o mesmo boletim Focus, a avaliação majoritária era de que o BC cortará novamente os juros em 1 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em maio, diante das expectativas cadentes para a inflação e de projeções modestas para a recuperação da economia.

A perspectiva do mercado para a inflação em 2017 medida pelo IPCA caiu a 4,06 %. Para o ano que vem, recuou a 4,39 %.

Nos dois casos, os números seguem abaixo do centro da meta de inflação, que é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual tanto para 2017 quanto para 2018.
A respeito da trajetória de inflação, o BC comentou na ata que a consolidação da desinflação no setor de serviços “aumenta a confiança de que a desinflação corrente terá efeitos duradouros”.

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Ilan - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, destacou ontem a evolução favorável da inflação no Brasil, estimando que ela chegará ao seu nível mais baixo no terceiro trimestre.

Ao participar de evento em São Paulo, Ilan projetou que a alta dos preços retomará força nos últimos meses do ano, porém ainda terminará 2017 abaixo do centro da meta do governo.

Segundo Ilan, a inflação enfrentará alguma volatilidade em abril e maio devido ao impacto dos encargos provenientes da usina Angra III, mas isso não afetará o resultado em 12 meses. “Essa ida e volta da inflação mexe muito com indicadores mensais, mas não mexe para o ano nem para a política monetária”, disse ele. (Reuters)

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