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Finanças

17/05/2018

BC paralisa cortes e mantém Selic a 6,5% ao ano

Decisão se deu por unanimidade
Da Redação
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Manutenção da taxa básica de juros surpreendeu o mercado/Banco Central do Brasil
Após a recente reversão do cenário externo, com a valorização do dólar em relação a diversas moedas de países emergentes - como o Brasil -, os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiram, por unanimidade, manter a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano.

A decisão, anunciada ontem pela instituição, interrompeu a trajetória de 12 cortes consecutivos na taxa Selic, que a levou ao nível mais baixo da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.

A decisão de ontem contrariou as expectativas de quase todos os economistas do mercado financeiro. De um total de 55 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 53 esperavam um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 6,25% ao ano. Apenas duas casas aguardavam pela manutenção da Selic em 6,50% ao ano.

Na reunião anterior do Copom, o colegiado havia sinalizado um novo corte moderado na Selic para este encontro. No comunicado que acompanhou a decisão de ontem, no entanto, a instituição afirmou que a evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional para mitigar o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas.

“Para as próximas reuniões, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, acrescentou o Copom.

Inflação - No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado - que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro, compiladas no relatório Focus -, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2018 de 3,8% para 3,6%.

No caso de 2019, a expectativa foi de 4,1% para 3,9%. As projeções anteriores constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de março. Esse cenário considera a Selic em 6,25% ao fim de 2018 e em 8,0% ao fim de 2019, com câmbio em R$ 3,40 no fim de ambos os anos.

Dessa vez, o comunicado do Copom incluiu um novo cenário, com juros constantes em 6,50% e câmbio constante a R$ 3,60 (arredondamento da média dos últimos cinco dias úteis até sexta-feira passada). Nesse cenário, as projeções para o IPCA situam-se em torno de 4,0% tanto para 2018, como para 2019.

Setores – Em nota à imprensa, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) lamentou a decisão, já que, na visão da entidade, o novo corte “seria importante para a atual situação de lenta recuperação da atividade econômica no Brasil”.

O presidente da Fiemg, Olavo Machado Junior, ressaltou ainda a importância da redução do spread bancário para o crescimento do País. “Estamos acompanhando atentamente a contínua redução da Selic e, no entanto, as taxas de juros finais cobradas pelo sistema bancário não acompanham essa queda. Não há motivos para a manutenção desse spread tão elevado. A taxa de inadimplência atual está estável e não há expectativa de forte recuo na atividade econômica nos próximos meses”, diz trecho da nota.

Já a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), também por meio de nota, destacou que a decisão não era a “que os setores de comércio e serviços esperavam”. “Para nós, é muito importante que os juros, assim como outros indicadores macroeconômicos, permaneçam em patamares mais baixos, criando assim, um ambiente favorável para expansão dos negócios”, afirmou o presidente da entidade, Bruno Falci, no comunicado.

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