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Economia

18/11/2017

BH adere ao trabalho intermitente

Setor empresarial vê maior segurança jurídica, mas trabalhadores temem precarização
Ana Amélia Hamdan
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Entre os setores que mais devem aderir estão os de supermercados, bares e restaurantes, para cobrir pessoal no fim de semana/Leo Ferreira/Divulgação
O trabalho intermitente, nova modalidade de contrato criada pela reforma trabalhista, já começa a ganhar adesões por parte dos empresários. Exemplo disso é a Churrascaria Porcão, na Capital, que deve abrir cerca de 12 vagas na modalidade intermitente, segundo informou a gerente de recursos humanos da empresa, Luciana Rodrigues. A rede de supermercados Rena, com lojas no Centro-Oeste de Minas e Grande BH, abrirá 20 vagas de trabalho intermitente neste fim de ano. Também de olho na novidade, a Marmitaria Família Daniel, no centro de BH, está com vagas abertas para os interessados em trabalhar só aos fins de semana.

Gerente de RH da Churrascaria Porcão, Luciana Rodrigues informou que o comércio pretende contratar de 10 a 12 pessoas pela modalidade de trabalho intermitente. O objetivo é que esses novos funcionários trabalhem aos domingos. Ela explica que nesse dia há um movimento intenso no restaurante, mas é necessário dar folga para os funcionários. Atualmente, a churrascaria implanta um sistema de rodízio com a equipe. Com a modalidade trabalho intermitente, segundo ela, será possível ter o quadro completo também no domingo. Ela ressalta que a nova modalidade gera economia, já que o empregado irá receber somente pela hora trabalhada.

Diretor-presidente do Supermercado Rena, Alexandre Maromba informou que a rede não iria abrir vagas temporárias neste fim de ano, mas, com a reforma trabalhista, a decisão foi revista. O grupo, que tem 11 lojas nas cidades de Itaúna, Divinópolis e Oliveira (no Centro-Oeste do Estado), Mateus Leme e Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, irá abrir 20 vagas na modalidade trabalho intermitente. 

Alexandre Maromba ainda não definiu os dias e horários de trabalho dos novos funcionários, pois acredita que eles possam cobrir as folgas dos que já estão contratados. Ele também ressalta que a maior vantagem é a economia para a empresa, com o funcionário recebendo pelas horas e dias trabalhados. A principal contrapartida, de acordo com ele, é a geração de emprego.

À frente da Marmitaria Família Daniel, com duas unidades no centro da Capital, Matheus Daniel informou que está abrindo quatro vagas para trabalho intermitente. O objetivo dele é que os novos funcionários trabalhem nos finais de semana. Ele optou pelo contrato intermitente que, segundo ele, permite reforçar a equipe sem onerar demais a empresa. Matheus Daniel informou que, para a definição do valor pago pela hora trabalhada, usou como base o piso da categoria de trabalhadores em bares e restaurante da Capital.

Leia também:
Modalidade deve ganhar força

Segurança
- Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), Ricardo Rodrigues considera que a modalidade de trabalho intermitente traz segurança jurídica aos empresários e resguarda direitos de trabalhadores. Segundo ele, a norma legaliza algumas formas de trabalho que vinham ocorrendo informalmente.

Advogado do Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana (SECBHRM), Amarildo Souza de Almeida informou que a entidade acredita que o contrato intermitente leva à precarização do trabalho. “O trabalhador não terá segurança remuneratória ao atuar só nas excepcionalidades”, disse. “É uma lei com muitas novidades. Precisamos de mais tempo para construir entendimentos sobre os mais polêmicos”, ressalta.

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