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Economia

11/01/2017

Black Friday interrompe série de quedas em MG

Alta foi de 0,3% em novembro
Gabriela Pedroso
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O resultado de Minas foi inferior à média nacional, puxado por setores como o de móveis/Alisson J. Silva
Já no gosto do brasileiro, a Black Friday teve papel fundamental no resultado do comércio em novembro. Em Minas Gerais, influenciado pela data, o volume de vendas do setor registrou alta de 0,3% na comparação com outubro, o que, além de impulsionar a atividade contribuiu para interromper uma trajetória de queda que vinha sendo observada desde julho no Estado. O desempenho médio do País foi ainda melhor, com variação positiva de 2%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do fim da sequência negativa, Minas teve no mês um rendimento bem inferior em relação à maioria dos estados. Entre as 27 unidades da federação, o Estado ficou na 21ª colocação, bem atrás de Tocantins (6,0%), Paraíba (3,8%) e Rondônia (3,5%), que foram os que mais avançaram em vendas no período. Supervisora de pesquisa econômica do IBGE Minas, Cláudia Pinelli avalia que o resultado menos expressivo no Estado pode ser justificado pelo comportamento do varejo de móveis e eletrodomésticos.

“Entre as atividades que contribuíram em nível nacional para o aumento do indicador no mês estiveram móveis e eletrodomésticos, supermercados e hipermercados e outros artigos de uso pessoal. Em Minas Gerais, o segmento de móveis e eletrodomésticos, por outro lado, vem contribuindo fortemente de forma negativa há um bom tempo, o que pode explicar essa diferença”, afirma Cláudia Pinelli.

A continuidade da crise financeira do País, com avanço do desemprego e queda do poder de compra do consumidor, no entanto, ainda permanece prejudicando a recuperação do setor, o que pode ser percebido pelos resultados das outras bases de comparação. No confronto com o mesmo mês de 2015, o comércio em Minas recuou 0,9% em novembro de 2016, enquanto a média do Brasil fechou com queda de 3,5%. O nível da atividade no Estado, portanto, mostra-se bem comprometido, estando 6,2% abaixo do ápice da série, apurado em novembro de 2014.

Dentre os segmentos que mais influenciaram em Minas na comparação com novembro de 2015 estão tecidos, vestuário e calçados (-15%), eletrodomésticos (-7,6%) e móveis e eletrodomésticos (-6,9%), que apresentaram retrações significativas nas vendas.

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Custo do crédito - Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida analisa que a queda no consumo de eletrodomésticos e móveis se deve, principalmente, ao elevado custo do crédito, necessário para o financiamento de bens duráveis, de maior valor agregado.
No acumulado do ano em Minas, o varejo fechou com recuo de 1,5% nas vendas frente ao mesmo intervalo de 2015. O percentual é o mesmo observado na variação de 12 meses.

Expectativa - O alívio verificado no mês de novembro, no entanto, ainda não pode ser visto como o início de uma recuperação do comércio. Tanto a supervisora do IBGE Minas como o economista da Fecomércio-MG ponderam que o incremento no mês está diretamente ligado ao evento da Black Friday e possivelmente não vai se repetir nos primeiros meses deste ano. Para dezembro, ainda existe uma expectativa positiva em função do Natal.

“Quando a gente pega esse período de fim de ano, até mesmo parte de outubro, há forte influência de fator sazonal, como as datas comemorativas. Por isso, qualquer ponto positivo deve ser analisado com cautela. A grande questão agora é acompanhar esse indicador, principalmente nos próximos meses, para ver se há continuidade dessa evolução, o que acredito que no momento seja difícil de ocorrer, por conta do desemprego elevado e do fato de que ainda se espera mais demissões no primeiro semestre deste ano”, destaca Almeida.

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