18/12/2014 - Blogueira ultrapassou visualização "oficial"

A estreia do longa "O Segredo dos Diamantes", hoje, inaugura algumas inovações na estratégia de divulgação de filmes nacionais. Além da promoção "O Segredo dos Diamantes, esse filme vale um tesouro", que vai sortear uma joia exclusiva no dia 28 de fevereiro, a internet também foi utilizada de maneira criativa. Sem verba para uma grande campanha publicitária, a ideia foi, além de usar as ferramentas mais comuns, como site e redes sociais, lançar mão dos blogs. Segundo o diretor do longa-metragem, Helvécio Ratton, uma pesquisa mostrou que as crianças e adolescentes têm nos blogs uma grande fonte de informação. Alguns blogueiros são capazes, com sua linguagem contemporânea e extremamente antenada aos desejos e necessidades da nova geração, lançar tendências e elevar produtos e comportamentos à categoria de fenômeno de consumo. "A publicidade no Brasil é uma coisa cara e não tínhamos como investir, por exemplo, em televisão. A questão era como chegar às crianças e adolescentes e conseguir concorrer com os filmes estrangeiros. Uma pesquisa nos mostrou que os blogs poderiam ser esse caminho. Foi aí que conhecemos a Júlia Silva. Mostramos o filme pra ela e pedimos que gravasse um depoimento dizendo o que achou, da maneira dela, sem nenhum script.  incrível o resultado alcançado. Nosso trailler já estava no ar há alguns dias e tinha alcançado 50 mil visualizações. Em apenas três dias ela alcançou essa marca e a partir daí o crescimento foi exponencial", revela Ratton. No vídeo, a menina de nove anos faz a resenha do longa, opina sobre a história e informa sobre a promoção. Orçado em R$ 4 milhões, "O Segredo dos Diamantes" é uma aventura infanto-juvenil que conta a história de Angelo (Matheus Abreu), um garoto de 14 anos que descobre uma antiga lenda sobre diamantes perdidos e parte em busca desse tesouro para salvar a vida do pai. Para isso, ele e seus amigos Julia (Rachel Pimentel) e Carlinhos (Alberto Gouvea) terão que decifrar o enigma e vencer a perseguiça do vilão Silvério (Rui Rezende), que também sabe do tesouro. Rodado nas cidades do Serro, no Vale do Jequitinhonha; Guanhães, no Vale do Rio Doce; Moeda, na região Central; Sabará na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH); além da Capital, o longa tem produção da Quimera Filmes, coprodução da Teleimage e distribuição da Espaço Filmes. Os recursos foram viabilizados em sua maior parte pela Lei de Incentivo à Cultura Federal e em menor proporção pela Lei Estadual. A estreia vai ocupar 20 salas em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. "Começamos por essas cidades pela sua importância e também como uma forma de atrair a atenção da mídia para depois levar o filme para o interior e outros estados. No Brasil não existe uma lei que limite o número de salas ocupadas por um mesmo filme e isso dificulta muito a distribuição de filmes nacionais. Queremos fazer aquilo que damos conta de maneira consistente. Temos o caso recente de um filme norte-americano que estreou em mais de 1,4 mil salas, ou seja, 50% dos cinemas existentes no Brasil. Dessa forma é impossível concorrer e fazer do cinema uma atividade rentável no país", reclama o cineasta. Estrutura - A produção do filme envolveu mais de mil pessoas. Apenas para a escolha dos três protagonistas foram realizados mais de 600 testes. "As pessoas não acreditam no volume de pessoas envolvidas na produção de um filme. O cinema é uma indústria muito forte e formadora de mão de obra. Fazemos questão de abrir espaço para novos profissionais desde os técnicos, passando por todo o apoio até os atores", afirma o diretor. Apesar da chamada "retomada do cinema nacional" completar 20 anos em 2015, o diretor aponta o baixo reconhecimento da indústria do cinema como uma alternativa viável de geração de emprego, renda e desenvolvimento para o país. Quando o assunto é a produção dedicada aos pequenos a situação parece ficar ainda pior na opinião do diretor.