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Internacional

07/04/2018

Brasil recebe cerca de 800 venezuelanos diariamente

Número foi divulgado pela ONU
AE
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Chegada em massa de vizinhos ao País tem gerado preocupação devido, entre outros, à falta de recursos para ajuda internacional/Antonio Cruz/ABr
Genebra - Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) afirmou, na sexta-feira (6), que, a cada dia, 800 venezuelanos cruzam a fronteira em direção ao Brasil, em um fluxo que não deve diminuir nos próximos meses. A entidade alertou ainda que está sem recursos financeiros para bancar os planos de ajuda internacional à crise dos venezuelanos no País. Dos US$ 46 milhões que a ONU solicitou para auxiliar o Brasil, a comunidade internacional disponibilizou 4% desse valor.

De acordo com o porta-voz do Acnur, William Spindler, a ONU e o governo brasileiro aumentarão sua capacidade de atuação na região de fronteira diante do “crescente número de venezuelanos chegando no norte do País com necessidades cada vez maiores”. “Pedimos que a comunidade internacional dê mais apoio ao Brasil, que tem sido generoso em sua resposta e precisa fortalecer sua capacidade de recepção, evitando discriminação contra venezuelanos e garantindo uma coexistência pacífica”, disse o porta-voz.

O que a ONU também constata é que a onda mais recente de refugiados tem sido marcada pelas condições cada vez mais precárias dos venezuelanos que chegam. “À medida que a situação política e econômica complexa continua a se deteriorar, os venezuelanos estão chegando mais desesperados por alimentos, abrigo e saúde”, explicou Spindler.

Desde o começo de 2017, 52 mil venezuelanos entraram no Brasil, sendo que 40 mil deles estariam em Boa Vista, Roraima, e 25 mil pediram asilo.

Situação crítica - Para o Acnur, a chegada em massa dos venezuelanos deixou os serviços básicos em Roraima em uma situação crítica. De acordo com a agência da ONU, o governo brasileiro anunciou um pacote de R$ 190 milhões para saúde e saneamento, além de declarar estado de emergência na região. O Acnur afirma que vai continuar a trabalhar com as autoridades brasileiras para registrar os refugiados e garantir que tenham acesso a saúde, educação e outros serviços.

A agência elogiou os trabalhos do governo brasileiro e agradeceu o fato de o País manter aberta suas fronteiras. Ainda assim, afirmou estar “cada vez mais preocupada com os riscos crescentes enfrentados pelos venezuelanos que estão vivendo nas ruas, incluindo exploração sexual e violência”.

Dois novos abrigos foram abertos em Boa Vista para lidar com esse fluxo. Mas, com 500 vagas cada, ambos estão praticamente lotados. Prioridade é dada a crianças, mulheres grávidas e idosos. Os locais estão sendo administrados pelo Acnur, enquanto as Forças Armadas distribuem alimentos.

Realocação - Uma das prioridades do Acnur é realocar muitos desses venezuelanos para outras partes do Brasil. “Isso vai dar uma solução de longo prazo para pessoas que precisam de ajuda e vai reduzir a tensão sobre comunidades locais no estado de Roraima”, afirmou o porta-voz.

A cada semana, dois voos levam venezuelanos para fora de Roraima. Na quinta-feira (5), os primeiros 104 estrangeiros chegaram a São Paulo. Um segundo voo deixaria a região na sexta-feira (6) para levar outros venezuelanos para a capital paulista e para Cuiabá. No total, 277 pessoas seriam transportadas na sexta.

A ONU diz que 600 venezuelanos já foram realocados, mas estima que 77% dos estrangeiros em Roraima esperam ser beneficiados pela distribuição pelo País.

Campos de refugiados - A agência da ONU criticou a recente declaração do deputado e pré-candidato à Presidência do Brasil Jair Bolsonaro, que afirmou a intenção de criar campos de refugiados no norte do País para os venezuelanos, caso fosse eleito.

“Criar campos de refugiados não é a melhor opção”, disse Spindler. “Na América do Sul, nunca tivemos campos de refugiados. Centenas de milhares de colombianos deixaram seu país em décadas e foram abrigados por comunidades. Essa é a tradição, e esperamos que isso (criar campos de refugiados) não seja feito”, completou o representante da ONU.

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