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16/03/2017

Brasileiros criam 'robô' para atacar corrupção e manter País em ordem

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São Paulo - No desenho animado ‘Os Jetsons’, sucesso na década de 1960, a robô Rosie ajudava a família futurista a administrar a casa. Agora, um algoritmo criado no Brasil - que ganhou o mesmo nome em homenagem ao desenho animado - enfrenta um desafio ainda maior: manter o País em ordem. Criado pelo programador gaúcho Irio Musskopf, de 23 anos, a Rosie analisa os gastos de políticos durante seus mandatos. Ela já identificou quase R$ 380 mil em notas fiscais irregulares, que levaram a denúncias contra mais de 200 deputados federais.

“Durante as eleições municipais do ano passado, comecei a pesquisar e a analisar informações dos candidatos à prefeitura para escolher em quem votar”, lembra Musskopf. “Logo percebi que esse tipo de análise poderia ser feita em larga escala, por uma inteligência artificial.”

A ideia levou o programador a se juntar a outros sete profissionais para desenvolver um algoritmo que analisasse notas fiscais entregues por políticos durante seus mandatos. O robô virtual lê o histórico de gastos e alerta quando há duplicidade ou situações fora do normal. “Ela entende os padrões e nos alerta”, explica Musskopf. “Com isso, conseguimos descobrir casos de corrupção e de desvio de verba.”

Primeiro alvo - Em um primeiro momento, a equipe decidiu usar a Rosie para analisar apenas notas fiscais relativas a gastos com alimentação entregues por deputados federais. Em apenas dois dias, o programa conseguiu identificar 849 casos suspeitos. Desses, 629 incluíam informações sem sentido, como almoços em cidades diferentes de onde o deputado estava ou notas fiscais em duplicidade. Todos os casos foram denunciados para a Coordenação de Gestão de Cota Parlamentar. Ela é responsável por controlar - por meio do Departamento de Finanças, Orçamento e Contabilidade da Câmara dos Deputados - os gastos de parlamentares com gasolina, envios postais e alimentação.

O deputado Celso Maldaner (PMDB-SC), por exemplo, foi denunciado por ter registrado 12 almoços em um mesmo local, no mesmo horário e no mesmo dia, totalizando um gasto total de R$ 727,78. Em documentos entregues à equipe da Rosie, o deputado justifica que foi um “equívoco de sua assessoria” e afirmou que fez a restituição do valor para a Coordenação de Gestão de Cota Parlamentar.

“É um órgão que não funciona”, afirma o jornalista e integrante da equipe de desenvolvimento da Rosie, Pedro Villanova, de 23 anos. Até agora, apenas 30 denúncias receberam resposta. Alguns deputados dizem que as notas fiscais estão erradas.

Construção - O desenvolvimento da Rosie, apesar de rápido, não foi fácil. Após ter a ideia, Musskopf buscou meios de financiar o sistema e apostou no financiamento coletivo. “Em dois meses, arrecadamos R$ 80 mil”, diz o criador do sistema. “Foi o suficiente para desenvolver a Rosie e bancar três meses de trabalho.”

Trabalho, aliás, não faltou: a equipe teve de baixar arquivos das notas fiscais, que ficam disponíveis na internet. Eles foram organizados por data, tipo de gasto e parlamentar. “Eram mais de 2 milhões de documentos, que organizamos manualmente”, afirma Villanova. A rotina foi exaustiva, mas Rosie logo trouxe resultados animadores. “A gente não dormia”, diz Musskopf. “Mas foi um trabalho que nos deu orgulho.”

Futuro - O próximo passo de Rosie será analisar gastos dos senadores. Ainda não há previsão, porém, para o início da nova fase. “O financiamento coletivo cobriu três meses de trabalho. Não temos como nos manter agora”, explica o programador.

O grupo iniciou uma nova campanha em 1.º de fevereiro para levantar dinheiro. Até a última sexta-feira, o saldo era de R$ 15 mil. “Sabemos que não dá para fazer isso a cada dois meses.” (AE)

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