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Economia

17/02/2017

Cautela dos consumidores transforma volta às aulas em frustração para lojistas mineiros

Mírian Pinheiro
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O período de volta às aulas, data muito esperada por determinados segmentos do comércio, frustrou a maioria. Neste ano, segundo pesquisa da Fecomércio-MG, os empresários desses setores voltaram a enfrentar a cautela por parte dos consumidores, porém, 41% registraram desempenho compatível com o de 2016. Outros 12,3% afirmaram que a procura por material escolar foi superior, principalmente em função da adoção de promoções/liquidações. Essa estratégia foi utilizada por 48,8% das lojas da capital, que observaram um gasto médio de até R$ 100 por cliente (40,3%).

De acordo com a analista de pesquisa da entidade, Elisa Castro, o resultado ficou dentro do esperado, para um cenário econômico em recuperação. “Ainda existe uma retração do consumo em função do poder de compra reduzido e dos índices de desemprego elevados. Isso se refletiu na escolha dos itens de volta às aulas, com os clientes buscando alternativas mais baratas e financiamentos”, explicou. As famílias têm buscado se endividar menos, ressaltou ela. No entanto, como a lista de material é extensa e adquirida praticamente de uma só vez, disse ainda, o cartão de crédito parcelado se sobressaiu como meio de pagamento na maioria dos casos (55%).

Realizado com empresas que atuam nos ramos de papelaria e livraria; mercado, supermercado e hipermercado, lojas de departamento, magazines e multicoisas, o levantamento da Fecomércio-MG reforça a postura de gastos moderados. Para quase 60% das empresas, as vendas ficaram concentradas nos produtos promocionais, sendo que 67,2% perceberam que os clientes fizeram pesquisa de preços antes de efetuar a compra. Outros 11,5% adquiriram somente os artigos que não poderiam reutilizar neste ano. “As pessoas não compraram todos os produtos em um único local, com a intenção de minimizar os gastos. E reaproveitaram o que foi possível”, informou Elisa.

Estratégias - O panorama traçado pela Fecomércio-MG reforça o desempenho tímido do setor e preocupa o comércio varejista, que busca saídas. Com 32 anos de mercado, Consuelo Dutra Coelho Mansur, dona da Agência Opus, com quatro unidades na cidade, entre elas, no Gutierrez, região Oeste de BH, estuda vender livros usados para tentar concorrer com o mercado. “A demanda por esse tipo de serviço aumentou muito, assim como a prática da troca e as compras coletivas”, constata. Insatifeita com o resultado das vendas neste início de ano, ela também critica a prática de alguns concorrentes, que oferecem descontos que considera aviltantes.

A mesma desconfiança ronda o sócio-proprietário da tradicional Livraria Ouvidor Rafael Geovanne Santarelli de Oliveira. “Alguns têm apostado no chamado pacote-casado. Perdem dinheiro na venda do livro, para ganhar na papelaria. Sem contar distribuidoras  que vendem parcelado diretamente para a escola e com 10% de desconto”.

Ele conta ainda que o impacto negativo nas vendas da Ouvidor (de 70% em relação ao ano passado) teve a ver com a mudança de endereço. Desde agosto do ano passado, a tradicional livraria, após 47 anos na Galeria Ouvidor, no centro, mudou-se para a rua Itajubá, bairro Floresta, Leste da Capital. Na sobreloja de um prédio, o novo ponto, ainda pouco conhecido pela clientela, influenciou diretamente nas vendas.” Rafael colocou o acervo da Ouvidor no e-commerce.

Com 65 lojas pelo Brasil, a Leitura, das maiores redes do segmento, também sentiu os efeitos da economia sobre as vendas. Na unidade do BH Shopping, centro-sul da capital, a analista de atendimento Elis Regina Maria de Almeida contou que as vendas do início de ano ficaram estáveis.

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