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Negócios

14/03/2017

Cemig vai integrar cabo elétrico e fibra ótica

Tecnologia é inédita e foi desenvolvida por empregados da companhia em parceria com centro de pesquisa
Mírian Pinheiro
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A Cemig faz teste da rede sinérgica em Sete Lagoas/Divulgação
Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o acesso à internet em domicílios chegou a 85,6 milhões de brasileiros, o equivalente a 49,4% da população. Os dados são referentes à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013. De lá pra cá, pouca coisa mudou. Metade dos brasileiros ainda continua sem acesso a banda larga. Mas, em breve, esse cenário será modificado. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), em parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), vem analisando sistemas ópticos para monitoramento dos Ativos de Transmissão e Distribuição e, agora, a possibilidade de utilizar a fibra óptica em conjunto aos condutores de energia se tornou real. Dois projetos (D520 e D566) nomeados por rede sinérgica estão na ordem do dia.

No total, a Cemig investiu R$ 12 milhões, sendo R$ 2 milhões destinados especificamente para o denominado D566. Segundo afirma o engenheiro de tecnologia e normalização da Cemig, um dos desenvolvedores dessa tecnologia, Carlos Alexandre Meireles Nascimento, o uso da rede sinérgica poderá trazer benefícios incontáveis, entre eles, a redução no custo operacional da banda larga. “Imagine 200 milhões de brasileiros com acesso à banda larga de baixo custo?”, ressalta o especialista, diante do impacto social da utilização em conjunto da rede. O conceito de rede sinérgica deriva do significado da palavra “sinergia”, quando se tem a associação ao mesmo tempo de vários dispositivos executores de determinadas funções que contribuem para uma ação coordenada.

Inovação - Além do ganho econômico e social, a Cemig pretende com o projeto diminuir a quantidade de cabos de comunicação de dados nos postes da distribuidora, que é proprietária de grande parte do posteamento no Estado. A empresa possui convênio de compartilhamento dessas estruturas com as operadoras de telefonia, internet e TV a cabo, que possuem, cada uma, cabeamento próprio que se acumula nos postes, principalmente nos grandes centros urbanos. “Ter uma nova tecnologia de linhas e redes de distribuição que já tenha smart grid (redes inteligentes) por fibras ópticas no núcleo dos cabos/condutores de energia e expandir as redes de banda larga no Estado juntamente com as linhas e redes de distribuição da Cemig D será ótimo”, avalia o engenheiro.

Para se ter noção do nível dessa inovação, basta dizer que tudo o que foi feito até agora nessa área foi desenvolvido com a tecnologia wirelles. Daí, a ideia das redes sinérgicas, que surgiu a partir da experiência da Cemig com smart grid, em que a fibra ótica é o melhor meio de transmissão de dados em banda larga para atender os requisitos de comunicação de dados das futuras redes de distribuição de energia da companhia.

Para ser colocado em funcionamento, ainda é necessário mapear o gigantesco ganho de eficiência operacional para a Cemig Distribuidora (Cemig D) onde as redes sinérgicas já estiverem disponíveis. “É estimado um investimento adicional de 15% acima do custo médio da rede de distribuição tradicional. Mas quando o investimento for feito em sinergia, isto é, Cemig D e Cemig Telecom implantarem em conjunto com a rede sinérgica o ganho em redução do investimento global (energia e comunicação de dados em banda larga) pode chegar a 30%”, estima Nascimento. Mas ainda falta padronizar a solução redes sinérgicas pela engenharia da Cemig D. A partir daí, a companhia terá condições de realizar a primeira instalação comercial da tecnologia. “Temos tecnologia testada em campo, agora é apresentar a solução para as empresas, investidores e sociedade”, completa Nascimento.

A tecnologia, salienta, transborda as fronteiras da Cemig. “Pode ser uma política fantástica de desenvolvimento econômico-social para Minas também. As equipes de desenvolvimento estão apostando nisso.” De acordo com o engenheiro, o plano é avançar com a tecnologia via programa de financiamento de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), mas se o mercado perceber os grandes vetores de ganhos, econômico e social, a expansão desse projeto pode assumir metas incríveis nos próximos anos. A tecnologia sinérgica estará disponível para uso comercial em dois anos.

Projeto-piloto da rede sinérgica já está funcionando em escala real na UniverCemig, em Sete Lagoas, na região Central

Em teste - O projeto-piloto da rede sinérgica já está funcionando em escala real na UniverCemig, em Sete Lagoas, na região Central. E, segundo o especialista, o D566 já atingiu todos os objetivos, inclusive, indo além dos planejados pelos executores. “No plano original, iríamos adquirir os condutores com fibras ópticas na China, mas com a aproximação da indústria nacional, foram todos desenvolvidos no Brasil, o que de fato, irá reduzir muito o custo da tecnologia e tempo para maturação da mesma no País”, comemora.

Uma linha de 138 kV com 1,5 km e uma rede de 13,8 kV com 400 metros estão em teste em Sete Lagoas. “A rede sinérgica em operação na UniverCemig já tem uma configuração muito próxima da solução industrial desejada, porque as nossas parceiras conseguiram desenvolver protótipos bem próximos de uma aplicação comercial. A etapa final será padronizar essa solução tecnológica nas áreas de engenharia, planejamento, projeto e construção de redes da Cemig”, afirma o engenheiro de tecnologia e normalização da Cemig, Carlos Alexandre Nascimento.

Quanto ao real impacto do uso da tecnologia para o mercado consumidor, Nascimento afirma que abrirá uma nova forma de aproximar os clientes da Cemig para as redes de banda larga Fiber-to-the-Home (FTTH). Por meio do conceito “redes sinérgicas”, ele espera também aumentar a interatividade entre o cliente e companhia. O aumento da segurança operacional das redes de distribuição, a redução drástica da poluição visual das redes nas ruas das cidades e a redução drástica da poluição ambiental (fibra óptica não gera radio frequência)”, são pontos destacados por ele.

Para o CPqD, esse é um projeto importante pelo caráter inovador e, também, por ter envolvido os vários interessados no desenvolvimento dessa nova tecnologia. “O conceito de redes sinérgicas é uma inovação que, no Brasil, se transformou em realidade graças a uma iniciativa destinada a atender uma necessidade de mercado e que contou com a união de esforços de pesquisadores da Cemig e do CPqD e, também, da indústria nacional”, enfatiza o pesquisador do CPqD que participou do projeto, Claudio Antonio Hortencio.

Para a Cemig D, o retorno do investimento virá a médio e longo prazos e sob variados aspectos. Basicamente, o especialista prevê o surgimento de uma empresa de distribuição de energia para sociedade, que permitirá um acesso ao FTTH mais factível do que da forma tradicional feito hoje pelas operadoras de telecom (saturação de cabos de fibras ópticas nos postes da Cemig D). O FTTH possibilitará o transporte simultâneo de uma série de serviços, tais como internet com acesso muito mais rápido, telefonia e televisão, através de uma única fibra óptica. “A previsão de retorno ainda é uma variável intangível pelas grandes vantagens que essa tecnologia agrega a operação de uma empresa “D” e possibilita a sociedade o uso do FTTH em um futuro bem mais próximo do que o mercado atual projeta”, comenta.

A iniciativa é uma parceria da Cemig com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e apoio da CemigTelecom e da indústria nacional especializada (Furukawa, Balestro e Workeletro). O projeto foi financiado pelo programa de P&D Aneel e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

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