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Finanças

05/12/2017

Cenário externo e otimismo com Previdência impulsionam o Ibovespa

AE
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São Paulo - O desempenho majoritariamente positivo das bolsas de Nova York e uma melhora na expectativa do investidor quanto à reforma da Previdência no Brasil foram os dois principais motores da alta de 1,14% registrada ontem pelo Índice Bovespa, que fechou aos 73.090,17 pontos. Por aqui, o incentivo veio de uma percepção de mudança de clima em Brasília sobre a reforma, após as reuniões de domingo do presidente Michel Temer com líderes da base aliada.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que no último sábado ele estava pessimista quanto à chance de votação da reforma na semana que vem, mas que passou a ficar “realista” depois da reunião de domingo do presidente Michel Temer com representantes da base aliada. Maia afirmou que, em princípio haveria 325 votos a favor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Previdência, contando com deputados da oposição que são favoráveis à proposta. O deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos vice-líderes do governo na Câmara, disse que o governo montou uma estratégia para tentar começar a votação da reforma no dia 12.

Apesar da alta significativa do Ibovespa, analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o avanço de ontem, em sua essência, foi uma recomposição de posições, depois da queda de mais de 3% em novembro. Isso porque, apesar da sensação de que o governo intensifica esforços para votar a Previdência na
próxima semana, a palavra de ordem no mercado de renda variável ainda é cautela.

“Depois das correções de novembro, havia oportunidades na bolsa, o que levou a um movimento de recuperação em alguns papéis. No que diz respeito à Previdência, a principal contribuição para a alta foram as informações de que os votos contabilizados já estariam acima dos 308 necessários, talvez até em 350 votos”, disse Guilherme Macêdo, sócio da Vokin Investimentos.

Na análise por ações, ficaram entre os principais destaques do dia os papéis da Vale, da Bradespar e das siderúrgicas. Elas reagiram à alta de 3,67% do minério de ferro no mercado à vista chinês. Vale ON terminou o dia com ganho de 3,80%, enquanto Gerdau Metalúrgica PN avançou 4,93% e Gerdau PN ganhou 2,17%.

O setor financeiro também mostrou recuperação e foi fundamental para o avanço do Ibovespa, dada a sua forte participação na composição do índice. Santander Brasil (units) subiu 3,69%, seguida por Banco do Brasil ON (2,44%) e Bradesco PN (+1,72%).

Dólar - Mais uma vez, as declarações acerca da votação da reforma da Previdência ditaram a trajetória do câmbio no mercado local. Quanto mais os parlamentares se mostravam otimistas com a aprovação da pauta ao longo do dia, mais o dólar recuava. Foi assim durante boa parte do pregão, e a divisa à vista acabou fechando com queda de 0,28%, na casa de R$ 3,2451. “Houve reversão completa do pessimismo que vimos na semana passada”, diz Bruno Foresti, operador do banco Ourinvest. “Resta saber se a euforia foi exagerada”, completa.

Foresti prevê que, entre quinta e sexta-feira, o mercado pode enfrentar nova dose de estresse, à espera da data da votação. “Se ela for postergada para o ano que vem, o dólar pode alcançar facilmente o patamar de R$ 3,30”, projeta. “Isso porque, em 2018, vamos virar a chave para as eleições.”

Mas não foram somente os arranjos políticos que ajudaram a puxar a cotação da divisa americana para baixo. Houve entrada de capital externo no mercado, segundo Durval Corrêa, operador da Multimoney. “Os investidores foram às compras com a bolsa mais barata”, afirma. Consequentemente, o giro do dólar à vista foi 34% maior do que o registrado no fechamento de sexta-feira, chegando a US$ 1,036 bilhão.

Segundo Pablo Spyer, diretor da Mirae, o leilão de 14 mil contratos de swap cambial (de US$ 700 milhões) e a alta de 4% do preço do minério também foram fatores importantes para o recuo do dólar no mercado doméstico. “Foi por isso que a divisa americana caiu por aqui, apesar da alta no cenário internacional”, afirma Spyer.

Taxas de juros - Ao final da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou com taxa de 7,06%, de 7,09% no ajuste anterior e a do DI para janeiro de 2020 caiu de 8,40% para 8,32%. A taxa do DI janeiro de 2021 terminou na mínima de 9,23%, de 9,32% no ajuste de sexta-feira e a do DI para janeiro de 2023 encerrou, também na mínima, a 10,13%, de 10,24%.

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