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Agronegócio

09/06/2018

China anuncia medidas antidumping

Michelle Valverde
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Importadores de frango do Brasil pagarão depósitos alfandegários/IMA/Divulgação
Brasília - A China vai impor, provisoriamente, medidas antidumping sobre a importação de frango brasileiro, por considerar que seus produtores sofrem concorrência desleal do Brasil, anunciou na sexta-feira (8), o Ministério do Comércio daquele país.

Essas medidas, que entram em vigor a partir deste sábado, supõem que os importadores deverão pagar aos depósitos alfandegários chineses entre 18,8% e 38,4%, que é a faixa de dumping (venda de produtos com preço abaixo de mercado) que as autoridades de Pequim calculam que têm as exportações brasileiras desse produto.

A decisão foi tomada depois que uma pesquisa determinou que o dumping está ocorrendo nas exportações do frango brasileiro, o que vem prejudicando “substancialmente” o setor chinês, disse o comunicado do ministério.

O Brasil é a origem de mais de 50% das importações de carne de frango do país asiático. A China é o maior consumidor mundial de frango brasileiro, e 85% das importações congeladas dessa carne procedem do Brasil.

A decisão da China é resultado de investigações sobre a prática de dumping que começaram em agosto do ano passado, por solicitação de produtores locais. Mas ainda é uma decisão provisória, uma vez que o prazo de conclusão da investigação é agosto deste ano, com a possibilidade de prorrogação por mais 12 meses.

ABPA - Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que “não há qualquer nexo causal entre as exportações de carne de frango do Brasil e eventuais situações mercadológicas locais”. “Os esclarecimentos apresentados pelo setor produtivo e pelas agroindústrias exportadoras deixaram clara a ausência de qualquer possível dano aos produtores e ao mercado chinês”, acrescenta a associação.

A entidade considera que a medida é “um retrocesso nas boas relações comerciais construídas por brasileiros e chineses ao longo desta década, bem como na parceria visando à complementaridade na garantia da segurança alimentar da China”.

Segundo a ABPA, apesar de uma potencial retração no desempenho dos embarques em toneladas, o fluxo comercial deverá ser mantido mesmo com a imposição da medida, frente à necessidade e alta demanda do mercado chinês. Em 2017, o país asiático foi destino de 391,4 mil toneladas de carne de frango do Brasil, equivalente a 9,2% de tudo o que o País embarcou no período.

“A decisão é provisória. A medida final será anunciada em agosto deste ano. A ABPA continuará a trabalhar no âmbito do processo, buscando reverter a decisão imposta temporariamente”, disse a associação.

BRF e JBS - A decisão da China pode prejudicar o setor avícola brasileiro, incluindo a  BRF. “Nós enxergamos esta notícia como negativa para o setor de aves no Brasil, que está enfrentando uma situação difícil após a operação Carne Fraca, a greve dos caminhoneiros e uma recente alta nos preços dos grãos”, disseram analistas do Credit Suisse, em nota a clientes.

Victor Saragiotto e Ian Miller destacaram que, embora a China não seja o principal mercado da BRF, a companhia poderia ser negativamente afetada, uma vez que o volume inicialmente exportado para a China poderia ser parcialmente distribuído para outros mercados, pressionando as margens para baixo.

Na visão dos analistas do Itaú BBA liderados por Antonio Barreto, trata-se de mais uma complicação para a perspectiva dos negócios internacionais da BRF, assim como a suspensão das exportações de várias unidades da companhia no Brasil pela União Europeia e a discussão sobre o abate halal pela Arábia Saudita.

Barreto e equipe destacaram que é provável que o preço médio em Hong Kong recue, avaliando que haverá mais oferta para as exportações de aves do mercado paralelo da cidade para a China continental. Os analistas estimam as exportações da BRF para China em 132 mil toneladas por ano, 8% do volume total exportado pela BRF em 2017.

Também consideram o desconto médio de US$ 0,36 por quilo entre exportações para China e exportações para Hong Kong a partir de dados da Secex de 2017.

“Nós acreditamos que essas estimativas são conservadores, que a real queda pode ser maior com um desconto de preço maior”, escreveram os analistas do Itaú BBA.

Em relação à JBS, a equipe do Itaú BBA avalia que impacto é mais limitado e pode até ser positivo no médio prazo. Eles citam que a Seara representa menos de 15% do Ebitda consolidado da JBS enquanto a Pilgrim’s, subsidiária avícola americana da JBS, pode se beneficiar se a China retomar as importações de frango dos EUA.

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